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Publicado por Lobo em 05 Fev 2009 | sob: bRO Fanfic
Carmen estava sentada na praça central de Izlude com Lyanne, enquanto afiava sua Jur, uma conjunto de duas lâminas afiadas que se prendem no antebraço, feitas para atacar rapidamente os pontos fracos dos oponentes, e conversavam sobre Lunáticos, Porings e outros monstros que ambas achavam fofos, quando viram no céu, o aeroplano chegando. Ele vinha do norte, como sempre, dava a volta por cima da cidade, para pousar no aeroporto à sudeste da cidade. Carmen continuou a afiar sua arma enquanto a pequena sábia seguia com os olhos o aeroplano.
- Nossa, precisamos voar num desses qualquer dia, Carmen! Eu PRECISO voar nessas máquinas incríveis qualquer dia! Deve ser muito legal! - falou empolgada Lyanne.
- Eu já tentei entrar escondida no aeroplano, como já fiz várias vezes em barcos, mas a segurança do aeroporto é maior que dos portos. - falou rindo Carmen
- Mas não precisa ser de graça, menina! Parece uma arruaceira, que quer tudo de graça! - retrucou Lyanne, enquanto se levantava e ajeitava sua roupa. - De vez em quando eu acho que você deveria ser uma arruaceira como sua mãe. Vou comprar uma maçã, quer uma pra você?
- Ah, eu quero sim! Brigada! Mas eu não sou igual minha mãe. Eu sou uma Mercenária, lembra? Mas não tenho nada contra conseguir itens mais baratos, de vez em quando. - sorriu a pequena mercenária.
Lyanne foi até o vendedor de frutas de Izlude, à sudeste da cidade, para comprar duas maçãs, sempre de olho no aeroplano em suas últimas manobras para pousar no aeroporto, enquanto Carmen limpava sua Jur na barra de sua saia e as embainhava nos suportes de suas pernas quando Aristarco apareceu correndo na direção dela.
- Carmen! Que bom que te achei rápido! - falou excitado o pequeno bruxo.
- Você procurando a Carmen, Aristarco? - falou em tom jocoso Lyanne, que voltava com as duas maçãs. - Que raro! Alguma coisa você quer dela!
- Ah, oi, enxerida, tudo bem? Não percebi que você estava aqui. Deve ser porque não senti nenhum tipo de emanação mágica.
- De novo vocês vão discutir sobre magias poderosas e como conjurar magia? Vocês dois ainda vão me cansar! - falou Carmen, levantando e pegando a maçã.
- Tá bom, tá bom, não está mais aqui quem falou, Carmen! - respondeu Lyanne, começando a comer sua fruta favorita.
- Bom, então, Carmen, eu preciso de sua ajuda para entrar em um lugar, mas ele é proibido para crianças. - continuou Aristarco.
- Você quer entrar em alguma taberna? Quer beber alguma coisa? Acho que seu pai não vai gostar muito. - falou Lyanne.
- Não, não é isso! - respondeu Aristarco. - É um laboratório, e acho que isso também será de seu interesse, Lyanne. São os laboratórios da Fundação Rekember!
- Você foi até Lighthalzen, bruxo? - falou com espanto Lyanne.
- Fui sim, sábia! - respondeu Aristarco.
- Interessante, Aristarco. O seu problema são guardas ou alguma porta que precisa ser destrancada? E você sabe o que tem para ser visto? - perguntou de boca cheia de maçã a pequena mercenária.
- Guardas, a princípio, mas não sei se existem portões. Eu sei que você consegue ir sozinha, mas você consegue esconder mais gente com suas habilidades? - respondeu Aristarco.
- Não, não tem como esconder os outros. Mercenários trabalham sozinhos, lembra? Mas podemos ver o que dá pra fazer. Se tem algo secreto acontecendo, então acho que temos que descobrir, não? - falou Carmen, curiosa para saber o que havia de tão secreto nos laboratórios.
- Parece divertido. Que tal chamarmos a Alisia e a Kiara para ir com a gente? - perguntou Lyanne, terminando de comer sua maçã.
Ambos concordaram. Alisia era sempre uma boa companhia, por ser muito rápida, e tinha virado Cavaleira há pouco tempo, então certamente iria querer viajar um pouco para desenvolver suas habilidades, e Kiara era uma odalisca da idade deles, que adorava viajar e sempre conseguia enfeitiçar os outros com suas danças, o que era útil na hora de se livrar da atenção de adultos. Assim, os três correram para Prontera, onde certamente encontrariam as duas perto da entrada do castelo, ao norte da cidade.
Ao chegar perto do Castelo de Prontera, o trio encontrou além das duas amigas que procuravam, mais duas crianças conversando com elas. Alisia estava sentada ao lado de uma garota ruiva, de cabelos curtos e olhar alegre, usando os trajes típicos das sacerdotisas, enquanto Kiara dançava alegremente com outra odalisca, de cabelos dourados e feições orientais. Ao se aproximarem, Alisia apresentou a sacerdotisa como sendo Yuki, e a outra odalisca como sendo Heika. Um pouco mais afastado do grupinho, algumas pessoas da cidade, e mesmo alguns aventureiros, estavam assistindo à dança das duas, enquanto um bardo chamado Arthail, que geralmente ficava em Prontera, tocava seu bandolim embalando a dança das duas pequenas odaliscas. Como sempre, seu longo chapéu verde estava no chão, e quem quisesse colaborar com a vida nômade do bardo poderia jogar algumas moedas em seu chapéu. Graças à apresentação das duas pequenas odaliscas, seu chapéu estava cheio de moedas.
O trio explicou à mini cavaleira os planos o qual, para o expanto de todos, ela aceitou na hora. Entrar num lugar sem ser convidada não era do feitio de Alisia. Mas, sem se preocupar mais, convidaram Yuki para ir com eles, que também aceitou na hora. Assim, bastava que a apresentação das meninas terminasse para que elas fossem com eles para Izlude, para pegar o Aeroplano e ir para Lighthalzen.
O bardo, agradecido pela ajuda e elogiando a performance da dupla mirim, ofereceu pagar a passagem para as crianças com o dinheiro arrecadado com uma condição: contar a ele tudo o que aconteceu, para ele fazer uma balada digna destas crianças. E assim elas conseguiram a passagem para o aeroplano.
Publicado por Lobo em 29 Jan 2009 | sob: bRO Fanfic
Duas pessoas da Duality ficaram absolutamente fascinados com a história. Seria, é claro, injusto falar que somente estes dois ficaram curiosos e ansiosos para conhecer toda a saga do resgate de Elenna e Dorei, mas duas ficaram quase obstinadas por tudo o que aconteceu. Uma delas pode participar do resgate e, portanto, vivenciar parte do que a outra adoraria ter vivenciado, mas era justamente no que causou o motivo da viagem que instigou tanto Dark Alice a conversar com Elenna e Dorei por dias seguidos, comparando a vivência do casal com os estudos que fazia nas bibliotecas de Prontera, de Juno e da Catedral de Prontera. Mas esse era o foco que menos interessava à Haagen, já que o bardo se interessava muito mais na história da viagem, seus perigos, seus encantos do que pelos aspectos técnicos do acontecido. Assim, o material de trabalho de Haagen era maior do que o de Dark, já que ele podia conversar com mais pessoas, e até mesmo visitar alguns dos locais que os guerreiros haviam visitado.
E foi em uma destas viagens de Haagen que seu filho, Aristarco, o pequeno bruxo, acompanhando seu pai pelo conhecimento e pelo prazer das viagens, descobriu a viagem de aeroplano. Descobriu como era interessante ver as cidades, os campos, florestas e o mar de cima, lugares que ele conhecia mas que, neste novo ângulo, eram totalmente novos. E a todo momento perguntava a seu pai que cidade era aquela, que lugar era aquele, como se sua vida dependesse dele conhecer todos os lugares possíveis de se ver de cima. Mas, depois de Prontera e da enorme torre dos magos de Geffen, a cidade que mais o chamou atenção foi Lighthalzen.
Ele não sabia dizer bem o que era, se era a beleza aparente da cidade, com suas pedras brancas, que reluzia como uma pedra preciosa vista do alto, ou se eram as enormes construções da cidade, que Haagen apontou como sendo o hotel da cidade, o prédio da Fundação Rekember e a nova Guilda dos Ferreiros. Mas definitivamente a cidade de Lighthalzen atraía o pequeno bruxo. Tanto que, assim que, enquanto Haagen descia em Juno para encontrar Dark Alice, Aristarco deixou o vôo internacional para o vôo nacional de aeroplanos, para descer na Cidade do Aço.
Quando o capitão da aeronave avisou aos passageiros que estavam descendo em Lighthalzen, o pequeno bruxo já estava na prancha de desembarque, sem ao menos descer para conhecer a incrível aeronave. Assim que teve autorização para descer, Aristarco correu entre os viajantes que desciam para o aeroporto da Cidade do Aço para ser o primeiro a chegar naquela pérola branca. O aeroporto situava-se ao sul da cidade, então Aristarco, assim que saiu do prédio deu de cara com a loja de armas e armaduras, um prédio fácil de reconhecer pelo enorme machado que pendia do teto do prédio, em um mecanismo que fazia a enorme peça descer e subir como se estivesse cortando a frente do prédio.
Como nunca teve um interesse muito grande por armas, não entrou para conhecer o estabelecimento, ficando apenas impressionado pela construção em si. Indo em direção ao centro da cidade, encontrou o hotel, que circundava toda a área noroeste da praça central, e entrou para conhecer o local.
O hotel era realmente impressionante. Um enorme candelabro pendia na entrada do saguão, iluminando o impecável tapete vermelho que se estendia da entrada do prédio até o balcão de recepção onde, apesar de ser apenas uma criança, foi muito bem atendido pela recepcionista. À direita e à esquerda duas grandes escadas em espiral levavam ao segundo andar do prédio, onde ficavam os luxuosos quartos com camas com dossel e acomodações impecavelmente limpas.
Saindo do hotel encontrou outros prédios, como o de comércio, onde era possível comprar desde frutas até brinquedos e fantasias, em um mesmo local. Era um conceito interessante, diferente do que estava acostumado, onde os vendedores escolhiam os prédios que melhor interessassem para seus negócios. A única semelhança com as cidades do reino era que os comerciantes de armas e armaduras ficavam em outro prédio.
Na área leste da cidade, dividida do restante pela estrada de ferro que cortava a cidade de norte a sul, existia uma enorme favela. Era outro conceito novo para Aristarco, já que no reinado todos eram igualmente cuidados por sua majestade, não havendo uma diferença tão grande de posses entre os moradores. Já na República, a julgar pela cidade de Lighthalzen, isso acontecia. Aristarco julgou que talvez não fosse prudente se arriscar a entrar sozinho na favela, apesar de estar com vontade de conhecê-la. Resolveu que iria então para seu objetivo inicial: a Fundação Rekember.
Voltou para o centro da cidade, deu a volta no hotel até ficar de frente aos enormes e brilhantes portões da construção que tomava a maior parte da área noroeste da cidade. Passando por seus portões, e seguindo pela ponte de pedra branca que atravessava o lago artificial da entrada da área, atravessou as enormes portas de entrada do saguão, sendo recebido por um funcionário muito educado, que se ofereceu para mostrar a área visitável da Fundação. Seguindo o guia, Aristarco viu a enorme biblioteca, os quartos de alguns cientistas, a entrada da área restrita, onde haviam os laboratórios e áreas de pesquisa, e parte da área administrativa.
Ao fim do tour, o guia deixou Aristarco à vontade para passear no local, desde que obedecesse aos funcionários e guardas do local. Assim, o primeiro lugar que tentou conhecer foram justamente os laboratórios, mas um guarda de óculos padrão da guarda e bigodes grandes e grisalhos o barrou educadamente, avisando que pessoas não autorizadas não poderiam acessar aquela área restrita. Assim, sem ter como conhecer a área mais interessante, seguiu para a biblioteca, onde começou a olhar os livros aleatoriamente.
Assim ficou conhecendo um pouco mais da história da Fundação, alguns de seus funcionários mais ilustres, descobriu onde, afinal, Gabi havia aprendido e estudado a criação dos homunculi que agora acompanhavam ela e Annie. E descobriu que alguns cientistas da Fundação procuravam criar formas de vida mais evoluídas que estes homunculi. E isso só atiçou a vontade de conhecer estes laboratórios. Mas como passar pelo guarda que barrava a entrada?
Saindo do prédio da Fundação com esta dúvida, chegou à conclusão que ele só conhecia uma pessoa que ele poderia perguntar isso, e que era confiável, e que certamente cobraria para o resto da vida dele o favor que estava para pedir: Carmen. No mesmo instante, correu para o aeroporto da cidade.
Publicado por Lobo em 22 Jan 2009 | sob: bRO Fanfic
Nem mesmo suas formas ficaram nítidas Dorei invocou seu poder de atordoamento batendo com força o enorme machado, causando um leve tremor ao seu entorno, e invocou seus poderes de combate. Visivelmente estava se preparando para uma batalha, embora ainda não pudesse enxergar bem, e mantivesse Elenna firme em seu braço, protegendo-na com seu corpo.
- Elenna!! Dorei!! - exclamou Aisha, mal os dois apareceram inteiros e Dorei invocava seus poderes.
- Aisha? - respondeu em dúvida Elenna, com aparente dificuldade de enxergar.
- Elenna!! Achamos vocês!! - Gabi gritou pulando, querendo chegar perto do casal, mas Dorei ainda estava com o machado em mãos.
- Amor, pode ser mais um truque daquela bruxa!! - falou Dorei para Elenna, ainda segurando seu machado de forma ameaçadora na mão.
- Parece que eles não estão enxergando, Gabi. - falou Katrina, invocando o poder divino de medicar as aflições dos outros no casal recém encontrado.
Com o poder de Medicar usado pela templária, Elenna e Dorei voltaram a enxergar normalmente, reconhecendo seus amigos e familiares. Todos se abraçaram e quem não se conhecia se apresentou, e assim mais dois fortes aventureiros se juntaram ao grupo. Aproveitaram para contar a Dorei e Elenna onde estavam, e como foram resgatados, ao que ambos foram muito gratos pela insistência e coragem do grupo.
- Bom, agora que encontramos os desaparecidos, podemos voltar para casa, não? - falou Dorobou.
- Acho que você tem razão, Dorobou. Vamos, então, voltar para Prontera! - respondeu prontamente Elizabetti, pegando uma Gema Azul em mãos e tentando invocar o poder do Portal. Tentando, pois a Gema Azul, assim que caiu no chão, rolou para perto do pé da Sacerdotisa, sem abrir o portal para teleportar o grupo.
- Parece que não podemos voltar para casa pelo meio comum, meus caros. Vamos ter que pensar em outra saída. - falou Dark Alice.
- Se não estou muito enganada, ouvimos falar muitas vezes dessa tal bruxa. Quem é esta bruxa, Elenna? Você a viu? - perguntou Kurai.
- Eu não a vi, pois fomos cegados no momento que fomos arrancados de Glast Heim pela Sombra. - respondeu a sacerdotisa – Mas eu ouvi sua voz algumas vezes em minha cabeça, então acredito que ela esteja aqui nesta cidade em algum lugar. Mas foi bem lembrado, talvez se a acharmos ela pode nos indicar uma saída.
E assim o grupo começou a procurar nas casas por qualquer habitante que pudesse responder onde estaria a bruxa, ou algum tipo de líder local, mas nenhum dos habitantes que ali viviam pareciam entender o que os guerreiros falavam, até que encontraram uma casa na parte mais alta da cidade, simples e com o mesmo estilo das outras casas, exceto que ela tinha fumaça saindo da chaminé. Depois de bater na porta da casa sem resultado, Aisha resolveu que deveriam entrar e ver porque não respondiam, mesmo com fumaça saindo pela chaminé.
Dentro da casa, que parecia abandonada, já que todos os cômodos estavam cobertos com muita poeira e teias de aranha, como as outras casas, encontraram um piano velho, faltando algumas teclas, e um tapete que parecia novo, destoando do restante da casa. Seguindo pelo tapete, encontraram uma porta entreaberta, que Aisha empurrou com cautela e encontrou uma garota vestida como uma maga de Geffen, mas sua pele estava escura como a de um morto-vivo, embora ela possuísse um olhar firme, encarando a Atiradora de Elite, sem dizer nada.
- Olá. Saberia me dizer onde encontrar o prefeito ou alguém que cuide desta cidade, garota? - perguntou Aisha, ao ver que a maga não falava nada, apenas cuidava de um caldeirão à sua frente.
- Porque me procura, guerreira? - respondeu a maga.
- Você é quem cuida desta cidade? - respondeu com visível tom de dúvida Aisha.
- Eu sou quem procuram, como sua prima pode atestar. Certamente ela reconhece minha voz. - a maga olhou para Elenna neste momento, ainda ignorando os outros. - E Dorei, nem pense em me atacar, pois não será com força bruta que conseguirão o que querem.
- Neste caso, o que podemos fazer para conseguir o que queremos? - perguntou Elizabetti, dando um passo para frente.
- Me ajudem a tocar novamente minha canção, e eu concederei o desejo que está em seus corações no momento. Estão faltando sete teclas em meu piano, e sem elas não posso retomar meu tão desejado passatempo. Encontrem minhas teclas na cidade e eu darei a vocês o caminho para o mundo dos vivos.
Ao terminar a frase, a maga voltou a mexer o conteúdo de seu caldeirão, ignorando todas as outras tentativas de contato dos guerreiros, que decidiram sair e procurar as teclas do piano para a bruxa, que finalmente haviam encontrado.
Saindo da casa da bruxa, decidiram se separar em equipes de procura, para agilizar a busca. Kurai e Elizabetti formaram um grupo, saindo imediatamente para o norte da cidade, em seguida Gabi e Dorobou seguiram para o sul, enquanto Dark Alice e Katrina seguiram em direção à entrada da cidade, à oeste. Aisha, Elenna e Dorei seguiram para o entorno da casa da bruxa e a área leste da cidade, combinando de todos se encontrarem em frente à casa da bruxa assim que encontrassem as teclas.
Kurai e Elizabetti, seguindo para o norte da cidade, encontraram um cidadão que, como todos os outros cidadãos, estava morto. Mas, diferente de antes de conversar com a bruxa, este reagiu à presença das guerreiras. Eliza imaginou que poderia ser o efeito de terem conversado com a bruxa, mas não teve mais tempo de pensar pois, assim que chegou perto dele, ele atacou Kurai com uma mordida forte no braço, tão inesperada que Kurai não teve tempo de reagir. Instantaneamente Elizabetti usou sua poderosa Luz Divina para atacar o morto que, com o impacto da habilidade divina caiu no chão, gemendo. Não teria sido possível matar o cidadão, pois já estava morto, mas aparentemente ou o fato do ataque ser de propriedade divina, ou a violência do ataque da sacerdotisa, fizeram com que o cidadão não levantasse mais. Assim Elizabetti usou novamente seus poderes divinos de cura para tratar da ferida de sua amiga caçadora, e viraram-se para interrogar o seu agressor. Ele apenas repetia as palavras “carne” e “fome”, e estava com uma tecla de piano em suas mãos. Kurai pegou a tecla da mão dele, deu um chute no rosto dele para dissipar a raiva do ataque, e ambas saíram da presença daquela criatura, com a primeira tecla de piano em mãos.
Enquanto isso acontecia, Dark Alice e Katrina encontraram uma construção que parecia uma loja de algum tipo, e foram recebidas pelo balconista, morto como todos os outros cidadãos, oferecendo coisas como chifres de animais, pedaços de couro e pele. Mas, em cima do balcão dele haviam duas teclas de piano. Enquanto Katrina ouvi a lista de itens inúteis à venda, Dark Alice se aproximou do balcão e pegou uma das teclas, e o comerciante não pareceu notar o ato, ou não se importar. Percebendo isso, Katrina pegou a outra tecla, e o comerciante continuou sua preleção de itens, e ambas resolveram sair andando da loja, já que o comerciante parecia apenas estar repetindo seus itens para o ar, e não para elas efetivamente. E assim mais duas teclas haviam sido encontradas.
Gabi e Dorobou caminharam encontrando alguns cidadãos e Gabi cumprimentava a todos, pois sua felicidade em encontrar sua prima era muito grande. Em uma das casas que entraram, encontraram um cidadão citando versos. Ele citava uma estrofe repetidamente, de algum verso estranho e desconhecido, e Gabi não conseguiu chamar a atenção de jeito algum, mas notou que em sua mão direita ele segurava firmemente uma das teclas do piano da bruxa. Dorobou tentou retirar a tecla da mão do cidadão, mas ele segurava com força. Então Dorobou repetiu com ele os versos que ele repetia insistentemente, e sua mão começou a afrouxar, e ele fez sinal à alquimista que começasse a repetir com ele, e isso foi aparentemente relaxando o morto, que finalmente cedeu o suficiente para que Dorobou retirasse a tecla da mão carcomida do cidadão, coletando a quarta tecla do piano.
Enquanto andavam, Dorei e Elenna ouviam Aisha contar os acontecimentos da aventura do grupo e, enquanto resolviam que deveriam investigar mais a Sombra havia feito com o casal, chegaram a um pequeno cemitério na cidade, com algumas tumbas e lápides com os nomes apagados pelo tempo. Olhando para as lápides, Aisha notou um brilho perto de uma delas, e ao investigar, encontrou caída uma tecla de piano semi enterrada na terra. Dorei encontrou outra quase desaparecida no meio de um arbusto ressecado e cheio de espinhos no cemitério, e cortando o arbusto com seu machado, desenterrou a sexta tecla do piano, que Elenna guardou com a que Aisha encontrara.
Como havia sido combinado que todos se encontrariam assim que encontrassem as teclas na frente da casa da bruxa, cada grupo seguiu para a casa da bruxa, na parte alta da cidade, e Aisha juntou as teclas encontradas. Do alto da cidade, todos mostraram a área que vasculharam, e notram que realmente toda a área visível da cidade havia sido vasculhada pelo grupo. Decidiram entregar à bruxa as seis teclas encontradas, e talvez pedir à bruxa alguma orientação se havia algum lugar a mais para procurar além da cidade. Ao encontrarem a bruxa e mostrarem as 6 teclas, a bruxa pediu que os seguissem até o piano, para instalarem as teclas em seu piano.
Seguindo as instruções da bruxa, Dorei começou a trabalhar no piano, instalando as seis teclas em seus lugares corretos e, assim que terminou de instalar a sexta tecla, a bruxa fez aparecer em sua mão a sétima, e entregou ao ferreiro, que instalou em seu devido lugar. Embora ela aparentemente estivesse com a sétima tecla o tempo todo, ninguém se atreveu a perguntar porque ela teria pedido as sete teclas, e não as seis faltantes, mas houve um consenso silencioso que era apenas um teste por parte da bruxa.
De fato, assim que o piano ficou pronto, a bruxa sorriu para os aventureiros e apontou para a lateral direita do piano, enquanto sentava na banqueta e, assim que começou a tocar sua sinistra valsa, a lateral direita do enorme piano de madeira começou a brilhar, formando um portal branco-azulado como os criados pelas sacerdotisas, e um por um os guerreiros entraram no portal.
Assim que o clarão do portal cessou, estavam todos no centro da cidade de Umbala, próximo ao local onde os moradores da cidade praticavam o perigoso esporte de bungee jump. Ao verem novamente a luz do sol em suas faces, todos sorriram e Elizabetti mais uma vez sacou a gema azul e, desta vez, longe dos poderes da bruxa e das limitações da cidade das brumas, abriu um portal para a capital do reino, Prontera, onde puderam ir para o hotel banhar-se, escrever em seus diários, procurar seus amigos e, acima de tudo, celebrar o reencontro da família.
Publicado por Lobo em 15 Jan 2009 | sob: bRO Fanfic
Aisha, como líder da comitiva, virou-se de frente para o enorme cavaleiro e o encarou da melhor forma que podia, enquanto Katrina montava em seu GrandPeco logo atrás, como se previsse algo de ruim.
- Buscamos outros que estão vivos como nós, e que acreditamos que estejam em Nifflheim. - respondeu Aisha, com a voz firme.
- Aqui não são permitidas criaturas vivas, sejam guerreiros ou simples peões. Por que acham que quem buscam estaria aqui? - respondeu o cavaleiro, sem desmontar de seu cavalo.
- Porque eles não foram mortos, e soubemos que eles foram enviados aqui. E eu posso sentir que eles estão aqui, já que um dos que procuramos é minha prima, sangue de meu sangue. - respondeu em tom desafiador Aisha, como que prevendo o que o cavaleiro queria.
- Se é realmente o senhor deste lugar triste, nobre cavaleiro, poderia nos indicar onde estão nossos entes queridos, para que possamos deixar este lugar e voltar ao mundo dos vivos, de onde fazemos parte, por favor? - interviu Katrina, agora montada em seu GrandPeco e ainda assim não tão alta quanto o cavaleiro.
- Sou o Senhor dos Mortos, não o senhor deste lugar. Estou aqui para garantir que todos aqui estejam mortos, pois aqui não há lugar para os vivos. Mas posso notar que esta guerreira pensa em me desafiar. Acha que me desafiando pode conseguir alguma coisa, além de se tornar mais uma súdita deste local? - respondeu o cavaleiro, sem parar de olhar para Aisha.
- Não gostaria de entrar em combate com você, cavaleiro, mas sei que está escondendo meus amigos, e eu decidi que voltarei para casa com eles. Se, para isso precisar realmente entrar em combate, que assim seja. - respondeu Aisha, mostrando seu arco para o cavaleiro.
- Um arco? Pretende me desafiar com um simples arco? - respondeu o Senhor dos Mortos, levantando seu enorme escudo mostrando que poderia proteger ele e sua montaria.
- Teme um simples arco, guerreiro? - retrucou Aisha, afastando-se do cavaleiro com um salto e armando uma flecha pronta para atirar.
- Carne mortal… - respondeu com desdém o Senhor dos Mortos. - Que assim seja, então, guerreira.
Com um simples movimento de sua enorme lança, o Senhor dos Mortos criou um deslocamento de ar forte o suficiente para balançar a trança de Aisha, e afastar os outros guerreiros que estavam ainda ao redor da Atiradora. Os aventureiros procuraram se arrumar e se levantar do súbito ataque de área do cavaleiro, enquanto Aisha disparava sua flecha, sua mira inabalada com o ataque, acertando em cheio a testa da montaria do cavaleiro, mas a flecha atravessou o cavalo como se ele não estivesse lá e aterrissou no flanco do cavaleiro. Aisha armou outra flecha, levantando uma das sobrancelhas demonstrando a surpresa sobre a montaria.
- Belo golpe, embora inútil, guerreira. Não vou perder tempo com alguém que pretende me atacar de forma tão simples. Que meu séquito cuide de você. - falou com desdém novamente o Senhor da Morte.
Ao terminar de falar, levantou sua lança aos céus e do chão brotaram 2 Andarilhos, espectros de samurais de Payon conhecidos por serem extremamente rápidos e letais no uso de espadas, e eles correram na direção da garota que lançava uma segunda flecha em seu mestre. Mas antes que eles chegassem perto de Aisha, uma parede de chamas surgiu na frente deles, os distraindo de seu alvo e os virando para a conjuradora da parede, Dark Alice.
- Se sua idéia é um combate desigual, Senhor dos Mortos, então estamos na luta também. - disse com um sorriso Dorobou, sumindo em uma leve nuvem de poeira.
O grupo de aventureiros, ao ver que o Senhor dos Mortos não procurava um combate de um pra um entrou rapidamente em ação. Kurai, que era tão rápida quanto Aisha começou a disparar flechas no flanco esquerdo do cavaleiro, onde estava o escudo. Katrina avançou em sua montaria, já com seu imponente Elmo do Deus Sol em sua cabeça, atacando com sua espada o cavaleiro, para atrair seus ataques, enquanto Dark Alice conjurava a barreira de fogo entre Aisha e os Andarilhos, em seguida conjurando uma rajada congelante que paralizaria um dos Andarilhos em movimento, enquanto o segundo corria em direção da Sábia. As sacerdotisas se afastaram um pouco e se juntaram atrás de todos, procurando estabelecer as bênçãos e proteções divinas aos guerreiros, e Gabi atrás delas estava analisando tudo o que ocorria, já que não era uma guerreira como os outros, e estava sendo protegida por seu homunculus. Dorobou ainda estava escondido, mas essa era a forma de luta dos arruaceiros.
Ao ver essa movimentação toda, o Senhor dos Mortos voltou-se para a templária que vinha em sua direção e bloqueou seu ataque com seu escudo, ainda agüentando os ataques de flechas das duas arqueiras. Assim que a templária chegou aos seus pés, o cavaleiro elevou sua lança aos céus e pareceu entoar algum tipo de feitiço em uma língua desconhecida e, assim que trouxe sua lança ao chão uma cruz avermelhada surgiu em seus pés, muito parecida em forma com o ataque divino de Katrina, machucando severamente a templária que só não morreu pela intervenção conjunta das duas sacerdotisas para curar suas feridas e seu corpo com o poder da cura.
O Andarilho que não havia sido congelado atacou selvagemente a sábia, que conseguiu esquivar do primeiro golpe com dificuldade, e aparando um segundo ataque da enorme espada do monstro com o livro que estava em sua mão, no exato momento que Dorobou surgiu aparentemente de nenhum lugar, levantando poeira atrás do monstro e o teleportando para algum lugar ao mesmo tempo. Gabi então entendeu a ação do arruaceiro, que era retirar o monstro que atacasse primeiro para algum lugar com sua habilidade de rapto, em que ele teleportava instantaneamente ele e seu alvo para algum lugar aleatório nas proximidades, e havia deixado a sábia, as sacerdotisas e a alquimista a salvo.
Ao ver que as sacerdotisas estavam impedindo que sua primeira presa morresse, o Senhor dos Mortos resolveu invocar novamente sua cruz sombria. As flechadas que levava o feriam, era possível perceber isso pela forma com que ele se movia, mas pareciam não afetar sua concentração para conjurar as poderosas magias que ele invocava. No momento que começou a dizer as palavras malditas como da outra vez, foi atacado à distância pela sábia, que estava com um sorriso no rosto ao realizar o cancelamento da magia do guerreiro.
- Do que adianta saber feitiços poderosos, cavaleiro, se não aprendeu a conjurá-los de forma eficiente? - falou em tom desafiador Dark Alice, de olho tanto no cavaleiro quanto no Andarilho congelado.
- Mortal insolente!!! - gritou o Senhor dos Mortos, com um ódio que podia ser sentido em sua voz.
Enquanto travava combate físico com a templária, trocando ataques e defesas com armas e escudos, recebia as flechadas das arqueiras e também os ataques de seus falcões e era interrompido em suas conjurações pela sábia, o poderoso cavaleiro procurava se mover, e visivelmente não podia. Os ataques em si não eram perigosos pra ele, mas ele estava incapacitado de se mover com facilidade. Gabi estava analisando tudo isso, quando notou que o Senhor dos Mortos nunca levantava ou deslocava seu escudo, mesmo que isso significasse continuar sendo atacado. Ao se deslocar um pouco, Gabi notou que o escudo em forma de cruz não era totalmente sólido, mas era como se fosse feito de energia em seu interior, só com o entorno do escudo sendo efetivamente sólido.
- Aisha!! - gritou então a alquimista. - Temos que destruir o escudo dele!! Deve ser a fonte do seu poder!!
Aisha ouviu e cessou os ataques contínuos de flechas, segurando uma flecha e retesando a corda ao máximo. Como estava do lado oposto do escudo, poderia acertá-lo por dentro, se conseguisse fazer com que a flecha passasse rente o suficiente do corpo do cavaleiro e acertasse o braço que mantinha o escudo. O cavaleiro notou o que estava para acontecer e preparou sua lança para estocar a Atiradora de Elite, confirmando as suspeitas de Gabi. Katrina levantou sua espada no mesmo momento e invocou a poderosa cruz divina, seu ataque mais poderoso para atacar o cavaleiro, ao mesmo tempo que Elizabetti juntou suas mãos e invocou uma poderosa luz divina de dentro de si para atacar o cavaleiro.
Gabi viu tudo ocorrendo como se tudo ocorresse em câmera lenta naquele momento ínfimo de tempo. Viu o braço do Senhor dos Mortos se abrir durante seu ataque, o momento que o corpo dele se desequilibrou com o ataque combinado da templária e da sacerdotisa, e viu Aisha disparar a flecha no exato momento que a lança do guerreiro atingia o ombro de sua irmã. Viu a flecha de Aisha voando em linha reta perfeita, atravessando a crina espectral do cavalo, atravessando o antebraço esquerdo do cavaleiro e acertando exatamente o centro da cruz que formava o escudo.
No momento seguinte, ainda pode ver Dorobou acertando uma flechada na lança do Senhor dos Mortos, desviando o ataque que certamente mataria Aisha, mesmo com as proteções divinas das sacerdotisas. Pode ver também o poderoso escudo do cavaleiro se partindo em quatro partes simétricas, liberando uma fumaça densa e branca como ventos gélidos, enquanto a espectral montaria se desfazia em fumaça, desaparecendo debaixo do cavaleiro.
E, em um instante, tudo parou. As arqueiras mantiveram as flechas em seus arcos, mas não dispararam, Katrina se curava do ataque que desferira e sofrera, auxiliada pelas sacerdotisas, Dark Alice estava a postos para conjurar qualquer magia que precisasse, e Dorobou estava ainda atrás do cavaleiro, esperando para atacar a qualquer momento. Mas o cavaleiro, agora ajoelhado e olhando para o chão e, visivelmente derrotado, não atacaria mais.
- Não acredito… Nunca antes… fui derrotado… por mortais… - disse quase em um sussurro o cavaleiro, que começou a desaparecer junto à fumaça que saia de seu escudo.
A fumaça começou a subir, formando 2 vultos que antes não estavam ali. Foram tomando a forma de uma sacerdotisa de longos cabelos azulados, abraçada a um alto guerreiro portando um machado em uma das mãos, cerrando os olhos como se estivessem subitamente sendo cegados pela claridade em suas faces.
Publicado por Lobo em 08 Jan 2009 | sob: bRO Fanfic
- Todos muito cuidado agora. - falou Katrina, assim que o calafrio subiu eu sua espinha, embora o aviso fosse de fato desnecessário. - Não sei se nossos poderes divinos funcionam aqui, então melhor termos cuidado.
As sacerdotisas começaram a invocar seus poderes para abençoar e proteger os aventureiros, tanto para confirmar que podiam usar seus poderes quanto para reforçar a proteção de todos naquele lugar frio e enevoado. Elizabetti, antes de começar seu trabalho, vendou seus olhos com uma peça de pano escura, aparentemente impedindo sua visão.
- O que está fazendo, Eliza? - perguntou a sempre curiosa Gabi. - Se não puder ver o que acontece, como poderá nos ajudar?
- Não se preocupe, Gabi, a venda não me impede de sentir o que há ao meu redor. - sorriu a sacerdotisa – Apenas quero ter certeza de que não serei enganada por nenhum tipo de ilusão neste local tão ermo.
- Faz sentido, eu acho. Mas eu pretendo continuar enxergando onde estou pisando, mesmo que não me agrade muito. - sorriu Gabi de volta.
De fato, o lugar não era muito acolhedor, embora fosse belo à sua maneira. O chão era de terra batida, bastante escuro, e haviam algumas casas, visivelmente abandonadas. Eram choupanas feitas de terra e com telhados esfarrapados de palha, ou algo parecido. As árvores eram retorcidas e mortas, e seus veios e ocos formavam carrancas que pareciam olhar para os aventureiros conforme seguiam viagem pelo único caminho que parecia existir. As janelas das casas estavam quebradas, e suas esquadrias pareciam ter o formato de teias de aranhas. Muitos morcegos voavam por ali, mas diferente dos morcegos que conheciam, estes não atacavam os aventureiros, apenas planavam entre as árvores, seguidos por vultos que mais pareciam pedaços de seda pura e negra voando ao redor de árvores de forma errante. Era possível ver, em campos mais baixos, algo que lembrava um campo com uma enorme plantação de abóboras, onde existiam muitos pontos de luz bruxuleante flutuando pelos enormes campos.
Enquanto seguiam na formação que havia se mostrado bastante eficaz, as luzes dos campos de abóbora começaram a seguí-los. Ao notar isso, Aisha e Kurai rapidamente muniram seus arcos com flechas com ponta de prata, a munição mais indicada para um local de morte como o que estavam, apontando para as luzes que se aproximavam.
- Não atirem, meninas. - disse Alice, ao ver para onde estavam apontando. - Não acho que sejam monstros para nos atacar. Devem ser os Ludes, espíritos que guiam os mortos e recém chegados, pelo que li na Catedral.
E Alice estava certa. Eram os espíritos-guia daquela terra, com seu corpo redondo e branco como a Lua, carregando lanternas feitas de abóboras em seus pequenos braços, flutuando com graça e expressão simpática. Eram inúmeros, e pareciam estar agora apenas seguindo os aventureiros, com olhar de interesse. Assim que notaram que os aventureiros pararam, os Ludes passaram por eles e seguiram pelo caminho que o grupo estava seguindo. Todos de entreolharam, entendendo que deveriam seguir o caminho que eles estavam indicando.
- Creio que espíritos-guia sabem o caminho para a cidade, não? - disse Dorobou, com ar divertido.
Embora ninguém tenha respondido, a brincadeira do arruaceiro parecia ter aliviado um pouco da tensão que pairava no grupo, que seguiu andando pelos largos caminhos daquele vilarejo desolado. Passaram por dentro de um cemitério, onde Dark Alice pode verificar pelos escritos de alguns túmulos que estavam na cidade de Skellington. Mais que isso era possível apenas ver pedaços de nomes nos túmulos, e parecia que uma família chamada Dullahan morava ali, pois muitos dos sobrenomes nos túmulos eram este.
Seguiram através do cemitério e entraram em um trecho mais estreito, cercado por algumas casas e muitas árvores, onde encontraram um enorme abismo que desaparecia nas brumas do local. Ainda seguindo os Ludes, notaram que as casas não estavam perto desse abismo, mas havia uma praça, que certamente teria sido muito bonita quando viva. As árvores ainda os encaravam, algumas com bonecos estranhos pendurados como que enforcados. Gabi pegou um deles e guardou no seu carrinho, como recordação, sob o olhar de reprovação de Katrina, que achava que não deveriam mexer nos pertences daquele lugar, mas aparentemente nada havia se alterado com isso.
Os Ludes então formaram uma fila única, cercando os aventureiros, e entraram por um pequeno desfiladeiro muito estreito que passava por cima do abismo. Os aventureiros tiveram que formar uma fila para poder seguir os simpáticos guias, pois o caminho era tão estreito que apenas uma pessoa por vez podia passar. Assim Aisha seguiu na frente, seguida por Alice, Gabi e seu carrinho, Dorobou, sempre protegendo a alquimista, Katrina, Dark Alice, que prestava atenção e tudo e comentou com a templária que provavelmente estavam passando pelo rio Gjoll, que servia em Hel como um divisor entre o reino dos vivos e dos mortos, Eliza, que seguia o grupo como se pudesse enxergar o caminho mesmo com a venda e Kurai, fechando o grupo. O caminho era tortuoso e era impossível enxergar muito à frente por conta das brumas que cercavam o local todo, sendo possível apenas seguir em frente, pelo caminho indicado pela luz das abóboras.
Após passar pelo estreito caminho, os ludes se dispersaram em frente a uma série de casas mais bem conservadas que as de Skellington, embora ainda inabitadas, pelo que parecia, formando uma espécie de rua iluminada por postes com luzes etéreas brancas iluminando tudo, como se a cidade ainda tivesse vida. Como os Ludes se dispersaram e o terreno voltara a ser aberto, os aventureiros se arranjaram em formação e Aisha os conduziu através do espaço que se formava à sua frente, pela rua.
Ao passar por esta entrada, viram uma enorme cidade à sua frente, separada deles por um rio de águas escuras e calmas, recortado por algumas pontes de madeira. Seguiram pela ponte maior, à frente deles e notaram que a cidade parecia ter vida como as cidades normais, exceto pelo fato que era sempre noite e as pessoas que andavam por ali estavam visivelmente mortas, e totalmente alheias aos aventureiros. Ao chegar ao que parecia ser a praça central da cidade, com uma fonte de água escura e uma estátua de uma bruxa voando em uma vassoura, toparam com uma figura morta inusitada, uma funcionária Kafra, vestida como todas as outras, embora com olhar vazio e vestes puídas, e parecia saudar os que passavam por ela da mesma forma que as vivas faziam.
Assim que Gabi ia comentar isso ouviram poderosos passos de cavalo atrás de si, e o tilintar de armadura de placas típicas de cavaleiros montados, e aproximava-se dos guerreiros com passadas poderosas, mas sem pressa. Ao se virarem viram um enorme cavalo branco, com um guerreiro todo trajado com uma pesada armadura de placas, toda branca e reluzente. As patas do cavalo pareciam sumir e mesclar com a névoa, e ao redor dele rondavam espíritos de formas muito vagas, o circundando. Em uma das mãos ele carregava um enorme escudo em formato de cruz, muito largo e reluzente, e na outra uma enorme lança, carregada ao seu lado de forma a não ameaçar ninguém.
Ao se aproximar do grupo de aventureiros, ele dirigiu o olhar por baixo de seu elmo e falou, com uma voz cavernosa e grave, dirigindo-se ao grupo todo.
- Sinto em vocês a chama ardente da vida. O que fazem nos domínios do Senhor dos Mortos?
—
- Amor, sentiu este tremor?
- Senti sim, querido! O que pode ser isso, um terremoto?
- Não sei mas, se não estou muito enganado, parece que estamos sendo carregados, e não um tremor de terra comum…
Publicado por Lobo em 07 Jan 2009 | sob: bRO Fanfic
Finalmente terminei de escrever a saga que estou colocando no ar. Amanhã tem mais um capítulo, e depois os dois últimos! Aí é hora de colocar mais coisas no ar, mas nada tão longo, eu acho. Quem sabe?
Bom, eu aceito sugestões de histórias, para quem quiser mandar. Podem se basear nos personagens, nos lugares; ou simplesmente uma eventual pergunta pra Dark Alice pode gerar uma boa história!
Então, comentem, escrevam, falem!
Abraços lupinos!
o/
Publicado por Lobo em 01 Jan 2009 | sob: bRO Fanfic
Dorobou percebeu que a escuridão o engolfou, e acreditou que o olhar da alquimista seria a última coisa que veria na vida. De repente não estava mais caindo, e notou que estava em um chão de madeira, que mais parecia uma raiz enorme, de pé, e essa raiz seguia de lugar algum para lugar algum com muitas ramificações. Olhou para cima e não viu um teto. No espaço acima da raiz e do interminável mar existiam enormes quedas de água, vindas não se sabe de onde, e pequenas plantas de todas as cores brotavam do chão. De repente viu ao seu lado Gabi aparecer, com seu carrinho e abraçada ao seu homunculus, seguida de Aisha, com arco na mão e flecha em outra, já surgindo e olhando ao redor, seguida de Alice, Katrina, Elizabetti, Kurai, Dark Alice e, por último, Katrina montada em seu GrandPeco. Elas surgiram ao seu lado, e Gabi logo soltou seu homunculus e abraçou o arruaceiro.
- Não acredito que você pulou por nós naquele poço!! Não acredito que você fez isso!! Agora ninguém pode duvidar que você é um guerreiro!! Eu achei que tinha perdido você!!
- Não preciso que ninguém acredite em meu valor, Gabi, nunca precisei. Estou fazendo isso unicamente porque sinto falta de um sorriso, e a meu ver apenas encontrando Elenna e Dorei poderei ver novamente este sorriso que me é tão caro. - respondeu sorrindo Dorobou, olhando Gabi nos olhos.
- Para onde vamos agora? Dark, alguma idéia? - falou Kurai, olhando para as raízes que eram seu chão.
- Bom, não tenho mais dúvidas que estamos em Yggdrasil. Olhem as plantas multicoloridas que temos ao redor. São muito raras, e aqui aparecem em abundância. Onde mais encontraríamos tantas? - disse Dark Alice, olhando ao seu redor. - Acho que, se seguirmos esta raiz na direção da parte mais estreita, encontraremos a saída. Vamos seguindo o caminho mais largo, então, pois parece mais seguro.
Seguindo a ramificação mais grossa da raiz, o grupo seguiu entre plantas verdes, amarelas, vermelhas, brancas e até brilhantes, que mudavam de cor a todo momento. Gabi coletou algumas folhas destas plantas, para fazer experimentos, e guardou em seu carrinho e, ao cortar uma das plantas brilhantes do local, encontrou um mineral que parecia estar incorporado à planta e chamou a sábia.
- Dark, já viu isto? Uma planta que nasce em em pedra?
- Isso não é uma pedra qualquer Gabi! - falou a sábia, ao se abaixar e analisar a superfície de onde surgia a planta multicolorida. - É um minério muito raro, que eu mesma só pude ver depois de muito insistir na Academia de Juno.
- Muito raro, Dark? É um Emperium, por acaso? O minério que representa o poder? - falou a alquimista, ao olhar melhor a drusa cristalina que estava escondida antes pela planta.
- Exatamente! Você encontrou um Emperium!
Gabi recolheu a drusa daquele cristal amarelado, brilhante e que emanava um leve calor próprio, mostrando para as sacerdotisas o que havia encontrado. A simples visão do achado aqueceu o coração dos guerreiros, que se sentiam mais leves naquele local, depois de tudo que haviam passado, até que Kurai apontou mais adiante uma abertura na raiz que parecia ter sido construída por mãos humanas, formando uma espécie de casebre, adornado por flores, de onde emanava um vento muito sutil e muito gelado. Aisha, que estava com o espírito mais leve de ver o mineral, sugeriu que aproveitássemos a parada e o local para que descansassem um pouco da viagem e comessem algo, pois pressentia que estava na hora de recuperarem as energias, e aquele parecia ser um ótimo lugar para isso.
Assim, todos se serviram de algumas poções, sentaram-se encostados uns aos outros ou na pequena construção, e descansaram por algum tempo, pois o que Aisha havia falado fazia sentido. Não sentiam sono, e apenas de pararem naquele local tão bonito e calmo se sentiram revigorados em poucos minutos como se tivessem dormido por uma noite inteira.
Após comerem, Aisha se levantou e falou para seus amigos:
- Acho que é por aqui que temos que ir. O ar desta abertura difere totalmente do local que estamos. Acho que estamos próximos ao nosso destino final! Vamos, pois um casal nos espera para ser resgatado!
Falando isso, entrou pela abertura, seguida pelo grupo de guerreiros. Dentro da abertura, onde era possível andar de pé, seguindo a direção de onde vinha o vento gelado, e da tênue luz que vinha do final do pequeno túnel, era possível ver que era todo feito de pedras escuras e terra. Ao olhar para trás, viam apenas o breu da caverna, sendo impossível ver o local de onde estavam até aquele momento. Seguiram em frente e subiram uma escada de pedra úmida e cheia de musgo, e saíram em um local de terra avermelhada e cinza, que parecia ser noite, e com um ar pesado como um cemitério abandonado. Aisha rapidamente saltou para fora do buraco onde terminava a escada e se viu cercada por túmulos, árvores retorcidas e mortas, em um local triste e sombrio, com o ar tão gelado que parecia cortar sua pele e a velha sensação de que estavam em um lugar morto. Conforme seus companheiros saiam pelo buraco e sentiam a mesma coisa, se preparavam para qualquer situação que poderia aparecer, com os guerreiros pegando suas armas, sacerdotisas encantando a todos com as bênçãos protetoras, assumindo posição de combate. Diferente do local onde estavam, onde reinava a paz, estavam em um local onde a morte parecia estar constantemente de olho neles.
Não havia a menor dúvida para os guerreiros. Estavam em Nifflheim, e não havia mais como voltar!
Publicado por Lobo em 24 Dez 2008 | sob: bRO Fanfic
A Duality veio desejar um Feliz Natal aos leitores, com o bardo Haagen tocando uma canção natalina típica de Rune Midgard. Pena que vocês não podem ouvir, porque dá pra ver que todos estão apreciando a canção.
Na verdade, olhando bem, nem todos estão prestando tanta atenção assim.
Dá pra ver que o Dorei está chegando ainda, junto à Dark Alice, assim como os arruaceiros estão vindo conversando. Provavelmente Miadra está perguntando ao Dorobou quando ele vai colocar o chapéu. E parecem não se importar do Gosmúnculus de Annie estar seguindo o arruaceiro. Será que ele quer um chapéu também?
Por falar em chapéu, parece que Obi-Wan está tendo problemas com sua esposa. Ela quer que ele use um laço ou o chapéu de verão, mas ele claramente quer usar seu chapéu marrom. Boa sorte, Obi! E Katrina não sabe que laço colocar em seu agitado GrandPeco, e parece que Aisha tem uma sujestão interessante. Algo me diz que a pobre montaria estará em apuros em breve. Se ela ao menos voasse, como os dois felizes falcões…
Eu acho também que o Aristarco discutiu com a Alisia, já que nenhum deles está prestando atenção à música. Será que é porque ela virou cavaleira e não o chamou? Ou pode ser apenas que o pequeno bruxo tenha resolvido conversar com Toki, enquanto a pequena cavaleira está apreciando a roupa de Elenna.
Em todo caso, parece que até mesmo o misterioso Agent Error resolveu parar um pouquinho para curtir as festas, brincando com uma moeda, como sempre. Kurai, Gabi e Carmen estão curtindo o som, e parece que Alice está maravilhada, não? Elizabetti está ouvindo os devaneios de Karen ou a música? Talvez ambos, quem sabe o que se passa na cabeça dessa misteriosa sacerdotisa?
Bom, eu me junto, então, aos meus queridos personagens para desejar a todos um Feliz Natal e uma ótima virada de ano! Que as bênçãos de Odin recaiam a todos os leitores!!
Ah, semana que vem eu volto com os capítulos! E já tenho mais histórias na cabeça para escrever!
o/
Lobo
Publicado por Lobo em 19 Dez 2008 | sob: bRO Fanfic
Assim que anoiteceu, todos se reuniram próximo à Kafra da cidade, onde combinaram que seria o encontro deles para falarem sobre o que descobriram, na tentativa de encontrar o que o chefe Wootan havia solicitado. Começaram a conversar assim que foram se juntando e apenas Katrina e Kurai chegaram pouco depois de anoitecer, juntas e conversando. Ao chegarem ao grupo que estava confabulando, Kurai comentou:
- Vocês repararam que até as crianças usam máscaras aqui? Eu não faço idéia de como é o rosto desse povo! Só a Kafra e a pesquisadora não usam máscaras… Que esquisito, não?
Todos pararam de falar ao mesmo tempo e olharam para a jovem caçadora, que não entendeu bem o que havia acontecido.
- Menina, você não faz idéia do que falou! - respondeu Dark Alice com um dos seus raros sorrisos sinceros. - Estamos conversando aqui há muito tempo e não nos demos conta exatamente deste fato! Gabi, por acaso em seu carrinho você não possui algum tipo de máscara que Aisha pode usar?
- Acho que sim. Não creio que seja simples assim. Até mesmo um condimento avermelhado e picante eu encontrei aqui para fazer comida, mas não reparei nisso! Muito bom, Kurai!!
Gabi deu uma olhada em seu carrinho e encontrou uma Máscara Feliz lá no fundo, uma máscara muito simples com um sorriso desenhado, feita de felpas, jellopies e trevos encontrados em qualquer canteiro de qualquer cidade, uma máscara simples e que muitas crianças brincavam em todas as cidades do reino, que ela nem lembrava que estava ali. Certamente alguém tinha deixado cair e ela pegou para entregar a alguma criança depois, mas acabara ficando em seu carrinho. Entregou a Aisha que a pegou, olhou com cara de quem não acredita, e seguiu novamente para a parte mais noroeste da cidade, na cabana do chefe.
Antes de entrar na cabana, deu uma última olhada nas pessoas que as seguiam, e todas usavam algum tipo de máscara. Deu um breve sorriso, prendeu a máscara em sua face e entrou na cabana do chefe.
Ao ver aquela cena, o chefe abriu um enorme sorriso e abriu os braços em direção à guerreira.
- Muito bem, guerreira de pele branca! Você e seu grupo realmente compreenderam o verdadeiro espírito dos Wootan! Eu a recebo em minha casa com alegria! Passem a noite conosco, e amanhã os levarei até o marceneiro!
- Obrigada. - respondeu Aisha, retirando a máscara. - Mas, se possível, gostaríamos de partir o quanto antes rumo a Nifflheim, a fim de salvar minha prima perdida.
- Vocês, altos e pálidos guerreiros, são muito apressados. Mas que assim seja. Siga até o final de nossa cidade que encontrará o marceneiro. Entregue a ele sua máscara e ele abrirá a porta dos mundos para vocês. Mas tomem cuidado, pois o caminho não é fácil, e terão a companhia de criaturas que vivem na árvore. Vão em paz, e que a natureza os proteja. - respondeu com calma o chefe Wootan, que sentou-se novamente eu seu trono.
Aisha saiu, encontrou seus amigos e os guiou até a extremidade norte da cidade, onde a última ponte de madeira dava para um caminho de terra batida, que terminava em um enorme tronco de árvore, perto do qual sentava um velho Wootan que os olhou com interesse quando chegavam. Ao ver que o velho levantou-se, Aisha mostrou a Máscara Feliz que estava em sua mão, que ele olhou com interesse, e a entregou.
O velho virou de costas para o grupo e, esticando a mão até a parede de madeira que era o enorme tronco da árvore que bloqueava o caminho de terra, abriu uma porta pequena que não parecia estar ali antes, e se afastou para que os guerreiros seguissem viagem. Aisha entrou pela porta, seguida pelo grupo.
Ao entrar pela porta, deram de cara com uma espécie de caverna enorme, com uma iluminação que parecia vir da própria parede feita de madeira, com cristais de todas as cores incrustados por toda sua extensão, como que nascendo de dentro da parede. A própria parede de madeira da caverna parecia ter sido escavada naturalmente. Era difícil entender como aquilo poderia ter sido feito por algum meio humano ou natural. Logo no começo a caverna bifurcava, com o caminho da direita indo direção para baixo, e o esquerdo para cima, pelo que parecia.
- Creio que, como estamos indo em direção a um reino governado por uma bruxa, devemos seguir para baixo, se realmente estamos na Árvore da Vida. - disse Katrina, olhando para seus companheiros.
- Creio que esteja certa, prima. - respondeu Aisha. - vamos seguir sempre para baixo, então.
Os guerreiros seguiram por uma série de túneis todos feitos de madeira, com seus passos ecoando por toda a caverna, agitando as raízes e galhos que pareciam brotar do chão e do teto, como se não houvesse um sentido correto de crescimento para estas plantas que faziam parte das paredes.
Seguiram andando por bastante tempo, passando por diversos caminhos que pareciam ser um labirinto, mas Aisha andava determinada nas bifurcações, sempre seguindo para baixo, cada vez mais fundo naquela estranha caverna de madeira. O caminho parecia seguir mesmo para as entranhas da terra, descendo cada vez mais até que chegaram a um local que um buraco profundo parecia levar a lugar algum, escuro e silencioso.
- E agora, irmã, o que faremos? - perguntou Gabi, olhando para aquele poço que até mesmo seu carrinho parecia poder passar sem problemas.
- Bom, é para baixo que estamos indo, e este parece ser a entrada para o local mais fundo de Midgard. - respondeu Aisha. - Acho que não temos mais outro caminho para ir. O que acham, portadoras do conhecimento divino?
Elizabetti e Alice se entreolharam, cada qual com sua cara de dúvida, e não falaram nada, apenas acenaram com a cabeça que não sabiam.
- Bom, se estamos indo para a terra das névoas, e nossa amada líder acredita que é para lá que temos que ir… - Dorobou falou e, ao teminar a sua frase, olhou bem fundo nos olhos de Gabi, e pulou para dentro do buraco, desaparecendo completamente da visão de todos.
- Dorobou!!! - Gritou Gabi, que não esperava essa reação do arruaceiro, seguindo com o olhar ele sumindo no poço.
—–
- Amor, você lembra de alguma coisa que aconteceu quando enfrentamos a Ilusão?
- Vagamente. O maldito levantou a mão e senti uma onda de calor intenso e frio intenso ao mesmo tempo. De repente tudo ficou negro e acho que desmaiamos.
- Eu também senti isso. Não sei o que houve.
- Também não, amor, mas tenha certeza que, enquanto houver um sopro de vida em meu corpo não deixarei que nada aconteça a você. Juro que encontraremos uma saída daqui!
- Obrigada, meu amor. Você me deixa mais calma por estar aqui comigo.
Publicado por Lobo em 11 Dez 2008 | sob: bRO Fanfic
Depois de muitas árvores, plataformas e pontes de madeira chegaram a uma região que em que as plataformas eram maiores, e haviam muitas escadas levando até o chão. Nas plataformas altas era possível ver algumas casas de madeira e folhas, muito bem integrada à floresta que fazia parte, tudo bem rústico.
Mal entraram cruzaram uma ponte, o grupo de guerreiros que escoltavam os aventureiros se dispersou, saudando uma garota vestida como uma pesquisadora, com roupas cáqui e chapéu, que era totalmente diferente dos Wootans, era uma humana como os guerreiros. Ao ver o grupo de aventureiros a aventureira de cabelos vermelhos e óculos de lentes pequenas abriu um sorriso.
- Há quanto tempo eu não vejo humanos! Sejam bem vindos, mas sejam pudentes aqui nesta cidade. Não são todos os Wootans que aceitam estranhos.
- Olá, pesquisadora. - respondeu Dark Alice – Então o nome desta raça é Wootan? Interessante.
- Sim, é este o nome deles. São guerreiros formidáveis! Raramente um grupo grande como o seu chega aqui inteiro, ainda mais escoltado por eles! - retorquiu a pesquisadora.
- De fato, eles estavam para nos atacar quando tentamos dialogar e dissemos estar atrás de Yggdrasil, a árvore da vida. Foi quando notamos que eram seres inteligentes, não apenas criaturas agressivas. E nos trouxeram até você. - respondeu a sábia.
- Vocês buscam a Árvore da Vida? Estão atrás de algum tesouro, ou uma grande aventura, imagino. Isso é bastante comum… - a pesquisadora foi interrompida por Aisha.
- Não viemos atrás de glória ou fortuna, não se preocupe. Estamos buscando minha prima, que está desaparecida e acreditamos que está em um lugar que só podemos chegar pela Árvore da Vida. - respondeu Aisha de forma enérgica, mas suave.
- Ah certo. Bom, posso ver em seus olhos que está falando a verdade, aventureira. Neste caso, preciso informar o líder da aldeia, e preciso levar um de vocês como representante do grupo, enquanto o restante espera aqui na entrada da cidade. Quem poderia me acompanhar? - respondeu ainda com um sorriso a pesquisadora.
- Eu irei, já que eu organizei este grupo. - disse Aisha, adiantando-se. - leve-me ao líder da aldeia, por favor. Enquanto vocês, esperem que eu volte, e fiquem de prontidão para qualquer coisa.
- Pode deixar que ficaremos bem, Aisha. - respondeu Katrina – Vá e , por favor, aja de forma calma.
Aisha seguiu a pesquisadora pelas passarelas que entremeavam a floresta densa que cobria a cidade. Ainda era tarde, então os insetos voavam livremente no ambiente úmido da cidade, embora não abafado por conta da constante brisa e do teto formado pelas altas árvores milenares que ali existiam. Seguindo sempre direção noroeste, pelo que Aisha podia notar, chegaram a uma cabana maior, onde algumas crianças wootan brincavam, usando máscaras de madeira e pulando umas nas outras, e Aisha seguiu a pesquisadora através da pequena porta da frente. O povo da cidade era bem mais baixo e de pele mais escura que os humanos, mas pareciam ser muito ágeis, diferente dos guerreiros que rondavam o lado de fora da cidade.
A grande cabana de madeira era decorada com tapeçarias rústicas, mas bem trabalhadas, e possuía uma mesa simples no centro, e uma cadeira ao fundo, bem de frente para a porta, da qual levantou um wootan como os da cidade, de pele escura e baixo, mas era visivelmente mais forte e mais velho que os que havia visto na cidade, com pinturas brancas pelo corpo, coberto com roupas simples e uma coroa rústica em sua cabeça e segurando um longo cajado com a ponta recurvada. Apenas uma barba rala e branca adornava seu rosto sério e queimado pelo sol.
Ele acenou para a pesquisadora e se virou para Aisha, falando na mesma língua dela, com uma entonação mais gutural, certamente por conta de sua própria língua.
- Olá, guerreira! Seja bem vinda a Umbala. É conhecida da garota branca que a trouxe?
Antes que Aisha respondesse, a pesquisadora respondeu com calma para o chefe da tribo:
- Na verdade, grande chefe, eu a trago pois ela busca a Árvore da Vida, com o devido respeito que a Grande Árvore merece.
O chefe da tribo virou sério para a pesquisadora enquanto ela falava, e depois voltou a olhar para a alta garota de cabelos verdes à sua frente, analisando-na de cima a baixo.
- É uma guerreira como os Wootans, garota pálida?
- De certa forma sim, grande chefe. Sou uma guerreira arqueira. - Aisha respondeu seriamente, devolvendo o olhar do chefe, e lentamente alcançou seu arco e o mostrou para o pequeno, mas imponente, líder daquela raça.
- Oferece sua arma a mim sem ameaçar-me, garota pálida? Naturalmente é uma guerreira humilde, e por isso concedo a você passagem pela nossa cidade pelo tempo que precisar. Mas você responderá por seus guerreiros.
- Nada mais justo, grande chefe. Responderei a qualquer ofensa que meus amigos vierem a cometer perante o senhor. - respondeu Aisha, prendendo novamente seu arco em sua aljava.- Como falou a pesquisadora, busco Yggdrasil em busca de meus familiares.
- Observe meu povo e mostre-me ser capaz de nos entender, guerreira, e eu te direi o que precisa e deseja saber. Possui até o anoitecer para voltar aqui e me mostrar ter nos entendido. Mostre sua sabedoria, e eu mostrarei a minha. Vá em paz!
Aisha agradeceu ao chefe com um aceno e saiu pela porta, vendo que as crianças que brincavam agora estavam sentadas jogando algum tipo de jogo de tabuleiro com conchas e pedras. A pesquisadora a seguiu até fora da cabana, passando pelas crianças e afagando suas cabeças.
- Infelizmente não posso ajudá-la, guerreira, nesta missão. Mas tenho certeza que, com um grupo tão diverso quanto o que te acompanha, conseguirá entender o que o grande chefe wootan quer que você mostre a ele. Boa sorte!
- Obrigada, e até breve. - respondeu Aisha, que voltou para a entrada da cidade, onde estava seu grupo, olhando ao redor, com algumas crianças olhando para os guerreiros, curiosos.
Aisha os inteirou do que foi conversado na cabana, e disse que tomassem muito cuidado para não ofender o povo da cidade de Umbala. Precisavam da informação do chefe, e para isso Aisha precisava de toda ajuda do grupo. Eles desceram para o chão de terra batida por uma das enormes escadas para conhecer a cidade, as casas, o pequeno comércio, construções, procurando alguma dica do que o chefe havia pedido. A todo momento as crianças de Umbala seguiam os guerreiros, curiosos e tentando falar com eles, em sua língua rústica e gutural, mas pareciam especialmente interessados na templária Katrina e seu GrandPeco, e esta sorria de volta para as crianças, e até colocou uma em cima de sua montaria para brincar com elas. Enquanto isso, Aisha permaneceu na plataforma mais alta, com seu falcão agora pousado eu seu braço esquerdo, olhando para toda a cidade analisando tudo o que seus olhos alcançavam, analisando todas as árvores, pequenos animais, a vida em geral. Dark Alice, assim como as sacerdotisas, analisavam as estruturas e construções, investigando toda a capacidade inventiva daquele povo recluso e inventivo. Gabi e Dorobou andavam pelas plataformas, com o carrinho da alquimista parado próxima a uma funcionária Kafra que encontraram no centro da cidade, e que falava com eles feliz por encontrar outros humanos, enquanto Kurai vagava a esmo olhando o entorno, analisando as tapeçarias e outros objetos de culinária e vestimenta dos habitantes, curiosa pela arte daquele povo pequeno e criativo.