Nada, absolutamente nada, poderia me preparar para o que eu passei. Eu sabia que era a Terra que me chamava, sabia que era um dos elementos, mas o que eu vi foi além, muito além do que eu imaginava. Tentarei descrever o melhor possível para que, se um dia alguém ler estas linhas, tenha uma noção do que vi, embora eu duvido que eu vá esquecer tão cedo esta sensação.

À noroeste de onde estava nossa morada existe um vale, que Firmanvaar chamou de Bosque Sagrado. Eu não conhecia o lugar, mas eu sabia onde era. Não sabia dizer como, embora hoje eu entenda melhor, mas eu sabia exatamente para onde tinha que ir. E, subindo o vale, logo após uma suave curva à direita eu vi algo que alimentará minha memória para todo o sempre.

 

 

Visivelmente era uma massa imponente de rochas, que às vezes parecia estar mesclada ao entorno, às vezes ela perfeitamente nítida. Seu corpo parecia mutar, se moldar, e ao mesmo tempo, era firme como, na falta de uma expressão melhor, uma rocha. Era uma forma humanóide, lembrava até certo ponto um dos Voids que esses Warlocks teimam em usar, mas era infinitamente mais imponente. Os braços eram maciços, e sentia que poderia me esmagar como uma mariposa do vale. Mas ia além disso.

Seu jeito era confortante, e apesar da imponência, me trazia uma tranquilidade na mente. Eu sentia como se a tranquilidade subisse pelos meus pés. A cada palavra que ele dizia em minha mente eu sentia como se ouvisse com meus pés. Se aquilo não fosse tão espiritualmente natural para mim eu teria certeza que havia enlouquecido. Mas ele era o Espírito do Vale, e ele representava a Terra para mim, e sua presença fazia todo o sentido para mim.

 

 

Mas, apesar dessa sensação acolhedora, suas palavras não eram assim tão carinhosas. Ele, isto é, a Terra, estava zangada conosco. A queda de nossa nave, Exodar, havia causado um desequilíbrio nos elementos. Os Espíritos da Terra estavam enlouquecidos e brigavam com os outros elementos, como ele me mostrou. O Espírito elogiou minha bravura de estar ali, mas precisava que eu mostrasse que não era apenas corajosa, mas tinha o que era necessário para compensar o erro que minha raça havia causado.

Olhei para ele, ele afastou um pouco o corpo para que eu visse os espíritos atrás dele, de forma que eu sabia o que era necessário fazer. E não era ele me dizendo, eu simplesmente sabia. Invocando o poder na natureza em minha arma, corri na direção dos espíritos de terra, atacando-os. Eles eram muitos, mas os outros espíritos que já estavam lutando contra eles estavam ao meu lado, mesmo que não me ajudando. E, contando com meus novos dons, ou melhor, minhas novas companhias, comecei a equalizar os seus números.

 

 

Porque é isto o que um shaman busca: o equílibrio entre os elementos. E é isso que eu faço.