Outubro 2009
Arquivo Mensal
Blog da Carol e do Lobo, pra quem gosta de ler e se divertir.
Arquivo Mensal
Publicado por Lobo em 23 Out 2009 | sob: bRO Fanfic
O dia havia começado bonito em Payon. Elenna estava penteando seus cabelos na pequena cômoda que ficava no cando do luxuoso quarto que seu marido havia alugado. Os últimos dois dias haviam sido fantásticos, e a sacerdotiza só tinha a agradecer àquele que jazia roncando na cama, coberto apenas com o lençol. Apesar de belo, o dia estava frio e seu marido podia pegar um resfriado. Não que a sacerdotiza já tivesse visto Dorei doente, mas prevenir era sempre melhor. Então foi cobrí-lo melhor com uma manta leve.
Dorei não havia falado o porquê, como de costume, mas Elenna sabia porque estavam ali. Dorei sabia que Elenna estava muito preocupada em como ser a nova líder da Duality. Certamente Dorei estava ciente disto, e resolvera dar um descanso à ela. E Aisha ainda não entendia o que ela via de bom naquele ferreiro. Pobre Aisha.
Terminou de se arrumar e, quando foi acordar o ferreiro, teve uma súbita sensação ruim. No mesmo instante, Dorei abriu os olhos assustado, já procurando Elenna e em seguida olhando ao redor. Ele certamente teve a mesma sensação que Elenna. Mesmo sem saber do que se tratava, ambos sabiam que havia algo errado e, rapidamente, Dorei pulou da cama e se vestiu, enquanto ouviam gritos assustados vindos da cidade, que agora estava escura como se fosse noite novamente. Elenna colocou seu broquel e ficou com seu cajado em mãos, enquanto Dorei corria para fora com seu poderoso machado sagrado, conhecido como Cruz Impiedosa. Era um machado enorme, para ser usado com ambas as mãos, preto e com adornos dourados, cujas lâminas lembravam muito uma cruz, e irradiava poder sagrado. Elenna usou seus poderes divinos e aumentou a sua velocidade e a de seu marido, enquanto corriam para o centro da cidade, onde se formava uma multidão gritando em desespero sobre o Ragnarök, o fim dos tempos, que todos estavam condenados. Então Dorei apontou para oeste e, assim que Elenna olhou para aquela direção, entendeu o porquê do desespero das pessoas na cidade.
Uma espiral negra de energia descia dos céus, escurecendo todo o horizonte visível, e parecia sugar para seu interior tudo. Nuvens, pássaros incautos, até mesmo a luz. E o vento que uivava em Payon parecia se direcionar para lá, mesmo a toda distância que estavam do local.
- Acho que isto está acontecendo em Sograt, lá perto de Morroc, Lê. - falou Dorei, em meio aos gritos de desespero no local.
Antes que Elenna pudesse responder, a espiral sumiu rapidamente e o vento cessou, calando a todos. Elenna permaneceu com a boca entreaberta, como se fosse falar algo quando, de onde estava a espiral, subiu um clarão avermelhado enquanto o céu pareceu tingir-se de sangue. Em seguida uma luz mais intensa surgiu no mesmo local, ofuscando a anterior, e o céu voltou à sua coloração azulada matinal, sem qualquer alteração aparente.
Enquanto as pessoas de Payon se entreolhavam, alguns aventureiros que estavam por ali de passagem corriam para a funcionária Kafra da cidade, solicitando equipamentos e teleporte para a cidade de Morroc, a jóia do deserto Sograt. Mesmo sem combinar nada, Dorei e Elenna fizeram o mesmo, e seguiram para Morroc, a cidade do deserto, com seu enorme castelo central, seu comércio de pedras, seu ar geralmente seco e quente.
Chegando em Morroc, mais uma surpresa. O céu estava coberto por nuvens de fumaça, e pessoas corriam para todos os lados, muitas procurando sair da cidade, outras correndo para apagar os focos de incêndio que alimentavam a fumaça. E o belo castelo, com suas paredes esculpidas e adornadas com filigramas de ouro e lápiz-lazúli, entre outras pedras igualmente preciosas, não mais existia. Em seu lugar estava uma enorme cratera de terra avermelhada, com grandes blocos quebrados do que fora o castelo, cercado por palmeiras quebradas, construções demolidas e corpos jogados no chão.
Em pouco tempo o casal já estava ajudando onde podia; Elenna cuidava dos feridos com outros sacerdotes, noviços e enfermeiros, vindos de todos os cantos de Rune-Midgard, enquanto Dorei ajudava outros guerreiros e mercadores a transportar os feridos que podiam ser movidos para o acampamento que havia sido montado às pressas em frente das Pirâmides, à noroeste da cidade. Aos poucos o caos da fuga e do susto diminuíram, e todos puderam compreender melhor o que se passava. Então uma voz se fez ouvir pelos que estavam ali perto.
- O imperador Morroc acordou.
O dono da voz era loiro, com cabelos compridos presos em uma trança nas costas, com olhar inteligente e vestido com a roupa solene de um Sábio, embora um tanto surrada, mostrando que ele sabia lutar, como Dark. Ele falava sobre a lenda de um poderoso demônio que havia sido aprisionado naquele lugar há muitas eras, e sobre sua prisão havia sido construído um castelo, e ao seu redor uma cidade surgiu, no meio do deserto. E agora a prisão havia sido destruída.
Enquanto o Sábio contava a história, Dorei chamou a atenção de Elenna, que ouvia atentamente a preleção, e mostrou o emblema que pendia no pescoço do Sábio: uma balança dourada, montada em uma espada. Entendendo então o que Dorei queria dizer, Elenna se aproximou do rapaz que terminava a história para os presentes.
- Com licensa, senhor. - falou Elenna, amigável. - Meu nome é Elenna Turunnen-Hearth. Notei que possui em emblema da guilda Equilibrium.
- De fato, sou integrante da guilda. - Respondeu solícito o Sábio. - Me chamo Mabuse Delacroix, e estou aqui com minha guilda tentando ajudar como podemos nesta crise. Posso ajudá-la em algo?
- Talvez. - respondeu a sacerdotiza. - Por acaso estaria aqui na cidade uma nova integrante de sua guilda? É uma Atiradora de Elite de cabelos esmeralda, chamada Aisha Turunnen.
- Creio que sei quem é. - respondeu Mabuse. - Ainda não a conheci pessoalmente, mas os combatentes da guilda foram para leste, tentar conter os estragos que o Imperador causou.
- Ah, muito obrigada, sr Delacroix. - respondeu Elenna. - Vamos ver o que podemos fazer por ali, então.
Dorei limitou-se a acenar com a cabeça em agradecimento ao Sábio, e saiu correndo na direção indicada, sendo seguido por Elenna. Era possível, mesmo de longe, ver que havia um combate acontecendo ali. Era possível sentir os tremores no chão, os sons e gritos, os uivos e sons insanos que vinham dali. Magias poderosas, sons de tiros, gritos e ordens, sons de armas batendo em outras armas, o vento gelado seguido de calor pelas magias que muitos Bruxos e Arquimagos lançavam da retaguarda, sendo flanqueados por muitos Arqueiros, Caçadores e Atiradores de Elite, sendo auxiliados por Bardos e Odaliscas, muitos Sacerdotes e Sumo-Sacerdotes, Sábios, Noviços, todos ajudando os que estavam no meio do combate, e era possível ver parte da elite da Cavalaria de Prontera ali combatendo, junto de Paladinos e Templários, lutando contra os monstros que estavam naquela entrada da cidade. Elenna e Dorei rapidamente entraram no combate, ajudando como podiam.
Aos poucos estes guerreiros, com muito esforço, conseguiram conter o enorme contingente de monstros e sombras que ali estavam, expulsando da cidade os últimos invasores, e logo uma guarda especial, que posteriormente se intitularia Guarda Continental, prostou-se naquela entrada de Morroc e nas outras, a fim de cuidar que não houvesse outra invasão. E assim os guerreiros poderiam se tratar e descansar. Era possível ver a violência da batalha não apenas nas armaduras e escudos dos Cavaleiros e Templários, nem nas armas destes combatentes, já sendo ajustadas e arrumadas prontamente pelos Ferreiros que ali estavam, mas pelos olhares cansados de todos os envolvidos, dos guerreiros que corajosamente se puseram à frente dos montros aos que atacavam na retaguarda. Dentre eles estava a Atiradora que Elenna buscava.
Aisha estava visivelmente cansada. Elenna podia ver pela sua postura, que Aisha mantinha ereta com dificuldade, ao lado de outros guerreiros que, como ela, procuravam manter-se de pé, e prontos para qualquer problema, e alguns deles portando o brasão da Equilibrium. Elenna pôde notar com Aisha um Justiceiro de vestes azuladas, olhar calmo e com um pedaço da orelha esquerda faltando parcialmente coberto por seus cabelos, uma alta Caçadora de cabelos pretos soltos e olhar sério e firme, um Caçador com olhar relativamente suave, pele muito clara, um pouco mais alto que o Sumo-Sacerdote com ar de superior, cabelos curtos e claros, que estava ao seu lado, ambos um pouco mais afastados dos outros e visivelmente elfos, raça rara em Rune-Midgard, uma Justiceira também alta, cabelos castanho-escuros muito compridos presos apenas na ponta, que conversava com um grande Paladino de armadura dourada, cabelos compridos e portando uma lança, algo tão incomum quanto elfos.
Ao lado deles um casal de artistas estava sentado, descansando e bebendo algumas poções. A Odalisca era muito branca, muito bonita, com os cabelos loiros cobertos por uma bandana branca, com a cabeça repousada no ombro do Menestrel, de cabelos cinza-esverdeados, pele clara, de olhos fechados, ambos visivelmente cansados. Outro casal se encontrava ali; um grande Monge também elfo, com olhar tranquilo e cabelos acinzentados, e uma pequena garota com olhar tímido feições típicas de Amatsu e usando roupas de Espiritualista, ao seu lado, quieta, enquanto o Monge falava sem parar. E, cuidando deles, Elenna reconheceu a Suma-Sacerdotisa Jelanda, e outra Suma-Sacerdotisa, também de vestes azuladas, cabelos brancos e compridos, usando uma tiara de asas brancas, com olhar calmo e levemente aéreo, ambas cuidando de seus companheiros de guilda após o combate.
Elenna se aproximou já ajudando as duas Suma-Sacerdotizas a curar os feridos e foi recebida pela líder da Equilibrium com um sorriso. Aparentemente Jelanda reconheceu Elenna, embora o sorriso poderia ser por receberem ajuda, já que não era uma tarefa fácil auxiliar tanta gente. Dorei apenas acompanhava sua esposa, olhando a todos com respeito, e sempre de olho na entrada, com a Cruz Impiedosa em mãos, como se esperasse outro ataque a qualquer momento.
- Olá, srta Jelanda. - falou Elenna.
- Ah, olá sra Elenna. - respondeu Jelanda. - Fico feliz em vê-la bem, apesar das circunstâncias.
- Viemos correndo de Payon assim que notamos que algo aconteceu. - respondeu Elenna, apontando com o olhar para seu marido.
- Assim como a Equilibrium. - falou Jelanda, sentando-se um pouco e bebendo uma Poção Azul. - Aceita uma? Estamos um tanto esgotados.
- Não, obrigada, ainda posso continuar. - agradeceu com um sorriso Elenna. - Um Sábio chamado Mabuse Delacroix nos falou que estavam por aqui, e vim ver se tenho como ajudar, e aproveitar para ver minha prima. - Elenna então apontou para Aisha, que estava se aproximando com um sorriso.
- Olá, prima! - disse Aisha, ao se aproximar. - Veio ajudar no combate?
- Viemos. - corrigiu Elenna, apontando novamente Dorei com o olhar. - Felizmente parece que acabou. Vim ver se você estava aqui para vê-la mais uma vez.
- Realmente espero que tenha acabado, pois isso foi mais complicado do que o resgate que fizemos nos Laboratórios da Rekember. - respondeu Aisha.
Jelanda então levantou-se e voltou para cuidar dos outros companheiros, deixando Aisha conversando com Elenna e Dorei. Apesar do cansaço, ambas queriam aproveitar a companhia uma da outra, então as duas se afastaram um pouco para conversar, enquanto Dorei parava para conversar com o Paladino e a Caçadora. Aparentemente a invasão havia dado um descanso, e os monstros que estavam na entrada de Morroc agora pareciam se retirar para leste, na área desértica, sendo perseguidos por alguns guerreiros, embora o grosso dos combatentes daquele dia tenham permanecido na alquebrada cidade de Morroc.