Nem mesmo suas formas ficaram nítidas Dorei invocou seu poder de atordoamento batendo com força o enorme machado, causando um leve tremor ao seu entorno, e invocou seus poderes de combate. Visivelmente estava se preparando para uma batalha, embora ainda não pudesse enxergar bem, e mantivesse Elenna firme em seu braço, protegendo-na com seu corpo.

- Elenna!! Dorei!! - exclamou Aisha, mal os dois apareceram inteiros e Dorei invocava seus poderes.

- Aisha? - respondeu em dúvida Elenna, com aparente dificuldade de enxergar.

- Elenna!! Achamos vocês!! - Gabi gritou pulando, querendo chegar perto do casal, mas Dorei ainda estava com o machado em mãos.

- Amor, pode ser mais um truque daquela bruxa!! - falou Dorei para Elenna, ainda segurando seu machado de forma ameaçadora na mão.

- Parece que eles não estão enxergando, Gabi. - falou Katrina, invocando o poder divino de medicar as aflições dos outros no casal recém encontrado.

Com o poder de Medicar usado pela templária, Elenna e Dorei voltaram a enxergar normalmente, reconhecendo seus amigos e familiares. Todos se abraçaram e quem não se conhecia se apresentou, e assim mais dois fortes aventureiros se juntaram ao grupo. Aproveitaram para contar a Dorei e Elenna onde estavam, e como foram resgatados, ao que ambos foram muito gratos pela insistência e coragem do grupo.

- Bom, agora que encontramos os desaparecidos, podemos voltar para casa, não? - falou Dorobou.

- Acho que você tem razão, Dorobou. Vamos, então, voltar para Prontera! - respondeu prontamente Elizabetti, pegando uma Gema Azul em mãos e tentando invocar o poder do Portal. Tentando, pois a Gema Azul, assim que caiu no chão, rolou para perto do pé da Sacerdotisa, sem abrir o portal para teleportar o grupo.

- Parece que não podemos voltar para casa pelo meio comum, meus caros. Vamos ter que pensar em outra saída. - falou Dark Alice.

- Se não estou muito enganada, ouvimos falar muitas vezes dessa tal bruxa. Quem é esta bruxa, Elenna? Você a viu? - perguntou Kurai.

- Eu não a vi, pois fomos cegados no momento que fomos arrancados de Glast Heim pela Sombra. - respondeu a sacerdotisa – Mas eu ouvi sua voz algumas vezes em minha cabeça, então acredito que ela esteja aqui nesta cidade em algum lugar. Mas foi bem lembrado, talvez se a acharmos ela pode nos indicar uma saída.

E assim o grupo começou a procurar nas casas por qualquer habitante que pudesse responder onde estaria a bruxa, ou algum tipo de líder local, mas nenhum dos habitantes que ali viviam pareciam entender o que os guerreiros falavam, até que encontraram uma casa na parte mais alta da cidade, simples e com o mesmo estilo das outras casas, exceto que ela tinha fumaça saindo da chaminé. Depois de bater na porta da casa sem resultado, Aisha resolveu que deveriam entrar e ver porque não respondiam, mesmo com fumaça saindo pela chaminé.

Dentro da casa, que parecia abandonada, já que todos os cômodos estavam cobertos com muita poeira e teias de aranha, como as outras casas, encontraram um piano velho, faltando algumas teclas, e um tapete que parecia novo, destoando do restante da casa. Seguindo pelo tapete, encontraram uma porta entreaberta, que Aisha empurrou com cautela e encontrou uma garota vestida como uma maga de Geffen, mas sua pele estava escura como a de um morto-vivo, embora ela possuísse um olhar firme, encarando a Atiradora de Elite, sem dizer nada.

- Olá. Saberia me dizer onde encontrar o prefeito ou alguém que cuide desta cidade, garota? - perguntou Aisha, ao ver que a maga não falava nada, apenas cuidava de um caldeirão à sua frente.

- Porque me procura, guerreira? - respondeu a maga.

- Você é quem cuida desta cidade? - respondeu com visível tom de dúvida Aisha.

- Eu sou quem procuram, como sua prima pode atestar. Certamente ela reconhece minha voz. - a maga olhou para Elenna neste momento, ainda ignorando os outros. - E Dorei, nem pense em me atacar, pois não será com força bruta que conseguirão o que querem.

- Neste caso, o que podemos fazer para conseguir o que queremos? - perguntou Elizabetti, dando um passo para frente.

- Me ajudem a tocar novamente minha canção, e eu concederei o desejo que está em seus corações no momento. Estão faltando sete teclas em meu piano, e sem elas não posso retomar meu tão desejado passatempo. Encontrem minhas teclas na cidade e eu darei a vocês o caminho para o mundo dos vivos.

Ao terminar a frase, a maga voltou a mexer o conteúdo de seu caldeirão, ignorando todas as outras tentativas de contato dos guerreiros, que decidiram sair e procurar as teclas do piano para a bruxa, que finalmente haviam encontrado.

Saindo da casa da bruxa, decidiram se separar em equipes de procura, para agilizar a busca. Kurai e Elizabetti formaram um grupo, saindo imediatamente para o norte da cidade, em seguida Gabi e Dorobou seguiram para o sul, enquanto Dark Alice e Katrina seguiram em direção à entrada da cidade, à oeste. Aisha, Elenna e Dorei seguiram para o entorno da casa da bruxa e a área leste da cidade, combinando de todos se encontrarem em frente à casa da bruxa assim que encontrassem as teclas.

Kurai e Elizabetti, seguindo para o norte da cidade, encontraram um cidadão que, como todos os outros cidadãos, estava morto. Mas, diferente de antes de conversar com a bruxa, este reagiu à presença das guerreiras. Eliza imaginou que poderia ser o efeito de terem conversado com a bruxa, mas não teve mais tempo de pensar pois, assim que chegou perto dele, ele atacou Kurai com uma mordida forte no braço, tão inesperada que Kurai não teve tempo de reagir. Instantaneamente Elizabetti usou sua poderosa Luz Divina para atacar o morto que, com o impacto da habilidade divina caiu no chão, gemendo. Não teria sido possível matar o cidadão, pois já estava morto, mas aparentemente ou o fato do ataque ser de propriedade divina, ou a violência do ataque da sacerdotisa, fizeram com que o cidadão não levantasse mais. Assim Elizabetti usou novamente seus poderes divinos de cura para tratar da ferida de sua amiga caçadora, e viraram-se para interrogar o seu agressor. Ele apenas repetia as palavras “carne” e “fome”, e estava com uma tecla de piano em suas mãos. Kurai pegou a tecla da mão dele, deu um chute no rosto dele para dissipar a raiva do ataque, e ambas saíram da presença daquela criatura, com a primeira tecla de piano em mãos.

Enquanto isso acontecia, Dark Alice e Katrina encontraram uma construção que parecia uma loja de algum tipo, e foram recebidas pelo balconista, morto como todos os outros cidadãos, oferecendo coisas como chifres de animais, pedaços de couro e pele. Mas, em cima do balcão dele haviam duas teclas de piano. Enquanto Katrina ouvi a lista de itens inúteis à venda, Dark Alice se aproximou do balcão e pegou uma das teclas, e o comerciante não pareceu notar o ato, ou não se importar. Percebendo isso, Katrina pegou a outra tecla, e o comerciante continuou sua preleção de itens, e ambas resolveram sair andando da loja, já que o comerciante parecia apenas estar repetindo seus itens para o ar, e não para elas efetivamente. E assim mais duas teclas haviam sido encontradas.

Gabi e Dorobou caminharam encontrando alguns cidadãos e Gabi cumprimentava a todos, pois sua felicidade em encontrar sua prima era muito grande. Em uma das casas que entraram, encontraram um cidadão citando versos. Ele citava uma estrofe repetidamente, de algum verso estranho e desconhecido, e Gabi não conseguiu chamar a atenção de jeito algum, mas notou que em sua mão direita ele segurava firmemente uma das teclas do piano da bruxa. Dorobou tentou retirar a tecla da mão do cidadão, mas ele segurava com força. Então Dorobou repetiu com ele os versos que ele repetia insistentemente, e sua mão começou a afrouxar, e ele fez sinal à alquimista que começasse a repetir com ele, e isso foi aparentemente relaxando o morto, que finalmente cedeu o suficiente para que Dorobou retirasse a tecla da mão carcomida do cidadão, coletando a quarta tecla do piano.

Enquanto andavam, Dorei e Elenna ouviam Aisha contar os acontecimentos da aventura do grupo e, enquanto resolviam que deveriam investigar mais a Sombra havia feito com o casal, chegaram a um pequeno cemitério na cidade, com algumas tumbas e lápides com os nomes apagados pelo tempo. Olhando para as lápides, Aisha notou um brilho perto de uma delas, e ao investigar, encontrou caída uma tecla de piano semi enterrada na terra. Dorei encontrou outra quase desaparecida no meio de um arbusto ressecado e cheio de espinhos no cemitério, e cortando o arbusto com seu machado, desenterrou a sexta tecla do piano, que Elenna guardou com a que Aisha encontrara.

Como havia sido combinado que todos se encontrariam assim que encontrassem as teclas na frente da casa da bruxa, cada grupo seguiu para a casa da bruxa, na parte alta da cidade, e Aisha juntou as teclas encontradas. Do alto da cidade, todos mostraram a área que vasculharam, e notram que realmente toda a área visível da cidade havia sido vasculhada pelo grupo. Decidiram entregar à bruxa as seis teclas encontradas, e talvez pedir à bruxa alguma orientação se havia algum lugar a mais para procurar além da cidade. Ao encontrarem a bruxa e mostrarem as 6 teclas, a bruxa pediu que os seguissem até o piano, para instalarem as teclas em seu piano.

Seguindo as instruções da bruxa, Dorei começou a trabalhar no piano, instalando as seis teclas em seus lugares corretos e, assim que terminou de instalar a sexta tecla, a bruxa fez aparecer em sua mão a sétima, e entregou ao ferreiro, que instalou em seu devido lugar. Embora ela aparentemente estivesse com a sétima tecla o tempo todo, ninguém se atreveu a perguntar porque ela teria pedido as sete teclas, e não as seis faltantes, mas houve um consenso silencioso que era apenas um teste por parte da bruxa.

De fato, assim que o piano ficou pronto, a bruxa sorriu para os aventureiros e apontou para a lateral direita do piano, enquanto sentava na banqueta e, assim que começou a tocar sua sinistra valsa, a lateral direita do enorme piano de madeira começou a brilhar, formando um portal branco-azulado como os criados pelas sacerdotisas, e um por um os guerreiros entraram no portal.

Assim que o clarão do portal cessou, estavam todos no centro da cidade de Umbala, próximo ao local onde os moradores da cidade praticavam o perigoso esporte de bungee jump. Ao verem novamente a luz do sol em suas faces, todos sorriram e Elizabetti mais uma vez sacou a gema azul e, desta vez, longe dos poderes da bruxa e das limitações da cidade das brumas, abriu um portal para a capital do reino, Prontera, onde puderam ir para o hotel banhar-se, escrever em seus diários, procurar seus amigos e, acima de tudo, celebrar o reencontro da família.