Aisha, como líder da comitiva, virou-se de frente para o enorme cavaleiro e o encarou da melhor forma que podia, enquanto Katrina montava em seu GrandPeco logo atrás, como se previsse algo de ruim.

- Buscamos outros que estão vivos como nós, e que acreditamos que estejam em Nifflheim. - respondeu Aisha, com a voz firme.

- Aqui não são permitidas criaturas vivas, sejam guerreiros ou simples peões. Por que acham que quem buscam estaria aqui? - respondeu o cavaleiro, sem desmontar de seu cavalo.

- Porque eles não foram mortos, e soubemos que eles foram enviados aqui. E eu posso sentir que eles estão aqui, já que um dos que procuramos é minha prima, sangue de meu sangue. - respondeu em tom desafiador Aisha, como que prevendo o que o cavaleiro queria.

- Se é realmente o senhor deste lugar triste, nobre cavaleiro, poderia nos indicar onde estão nossos entes queridos, para que possamos deixar este lugar e voltar ao mundo dos vivos, de onde fazemos parte, por favor? - interviu Katrina, agora montada em seu GrandPeco e ainda assim não tão alta quanto o cavaleiro.

- Sou o Senhor dos Mortos, não o senhor deste lugar. Estou aqui para garantir que todos aqui estejam mortos, pois aqui não há lugar para os vivos. Mas posso notar que esta guerreira pensa em me desafiar. Acha que me desafiando pode conseguir alguma coisa, além de se tornar mais uma súdita deste local? - respondeu o cavaleiro, sem parar de olhar para Aisha.

- Não gostaria de entrar em combate com você, cavaleiro, mas sei que está escondendo meus amigos, e eu decidi que voltarei para casa com eles. Se, para isso precisar realmente entrar em combate, que assim seja. - respondeu Aisha, mostrando seu arco para o cavaleiro.

- Um arco? Pretende me desafiar com um simples arco? - respondeu o Senhor dos Mortos, levantando seu enorme escudo mostrando que poderia proteger ele e sua montaria.

- Teme um simples arco, guerreiro? - retrucou Aisha, afastando-se do cavaleiro com um salto e armando uma flecha pronta para atirar.

- Carne mortal… - respondeu com desdém o Senhor dos Mortos. - Que assim seja, então, guerreira.

Com um simples movimento de sua enorme lança, o Senhor dos Mortos criou um deslocamento de ar forte o suficiente para balançar a trança de Aisha, e afastar os outros guerreiros que estavam ainda ao redor da Atiradora. Os aventureiros procuraram se arrumar e se levantar do súbito ataque de área do cavaleiro, enquanto Aisha disparava sua flecha, sua mira inabalada com o ataque, acertando em cheio a testa da montaria do cavaleiro, mas a flecha atravessou o cavalo como se ele não estivesse lá e aterrissou no flanco do cavaleiro. Aisha armou outra flecha, levantando uma das sobrancelhas demonstrando a surpresa sobre a montaria.

- Belo golpe, embora inútil, guerreira. Não vou perder tempo com alguém que pretende me atacar de forma tão simples. Que meu séquito cuide de você. - falou com desdém novamente o Senhor da Morte.

Ao terminar de falar, levantou sua lança aos céus e do chão brotaram 2 Andarilhos, espectros de samurais de Payon conhecidos por serem extremamente rápidos e letais no uso de espadas, e eles correram na direção da garota que lançava uma segunda flecha em seu mestre. Mas antes que eles chegassem perto de Aisha, uma parede de chamas surgiu na frente deles, os distraindo de seu alvo e os virando para a conjuradora da parede, Dark Alice.

- Se sua idéia é um combate desigual, Senhor dos Mortos, então estamos na luta também. - disse com um sorriso Dorobou, sumindo em uma leve nuvem de poeira.

O grupo de aventureiros, ao ver que o Senhor dos Mortos não procurava um combate de um pra um entrou rapidamente em ação. Kurai, que era tão rápida quanto Aisha começou a disparar flechas no flanco esquerdo do cavaleiro, onde estava o escudo. Katrina avançou em sua montaria, já com seu imponente Elmo do Deus Sol em sua cabeça, atacando com sua espada o cavaleiro, para atrair seus ataques, enquanto Dark Alice conjurava a barreira de fogo entre Aisha e os Andarilhos, em seguida conjurando uma rajada congelante que paralizaria um dos Andarilhos em movimento, enquanto o segundo corria em direção da Sábia. As sacerdotisas se afastaram um pouco e se juntaram atrás de todos, procurando estabelecer as bênçãos e proteções divinas aos guerreiros, e Gabi atrás delas estava analisando tudo o que ocorria, já que não era uma guerreira como os outros, e estava sendo protegida por seu homunculus. Dorobou ainda estava escondido, mas essa era a forma de luta dos arruaceiros.

Ao ver essa movimentação toda, o Senhor dos Mortos voltou-se para a templária que vinha em sua direção e bloqueou seu ataque com seu escudo, ainda agüentando os ataques de flechas das duas arqueiras. Assim que a templária chegou aos seus pés, o cavaleiro elevou sua lança aos céus e pareceu entoar algum tipo de feitiço em uma língua desconhecida e, assim que trouxe sua lança ao chão uma cruz avermelhada surgiu em seus pés, muito parecida em forma com o ataque divino de Katrina, machucando severamente a templária que só não morreu pela intervenção conjunta das duas sacerdotisas para curar suas feridas e seu corpo com o poder da cura.

O Andarilho que não havia sido congelado atacou selvagemente a sábia, que conseguiu esquivar do primeiro golpe com dificuldade, e aparando um segundo ataque da enorme espada do monstro com o livro que estava em sua mão, no exato momento que Dorobou surgiu aparentemente de nenhum lugar, levantando poeira atrás do monstro e o teleportando para algum lugar ao mesmo tempo. Gabi então entendeu a ação do arruaceiro, que era retirar o monstro que atacasse primeiro para algum lugar com sua habilidade de rapto, em que ele teleportava instantaneamente ele e seu alvo para algum lugar aleatório nas proximidades, e havia deixado a sábia, as sacerdotisas e a alquimista a salvo.

Ao ver que as sacerdotisas estavam impedindo que sua primeira presa morresse, o Senhor dos Mortos resolveu invocar novamente sua cruz sombria. As flechadas que levava o feriam, era possível perceber isso pela forma com que ele se movia, mas pareciam não afetar sua concentração para conjurar as poderosas magias que ele invocava. No momento que começou a dizer as palavras malditas como da outra vez, foi atacado à distância pela sábia, que estava com um sorriso no rosto ao realizar o cancelamento da magia do guerreiro.

- Do que adianta saber feitiços poderosos, cavaleiro, se não aprendeu a conjurá-los de forma eficiente? - falou em tom desafiador Dark Alice, de olho tanto no cavaleiro quanto no Andarilho congelado.

- Mortal insolente!!! - gritou o Senhor dos Mortos, com um ódio que podia ser sentido em sua voz.

Enquanto travava combate físico com a templária, trocando ataques e defesas com armas e escudos, recebia as flechadas das arqueiras e também os ataques de seus falcões e era interrompido em suas conjurações pela sábia, o poderoso cavaleiro procurava se mover, e visivelmente não podia. Os ataques em si não eram perigosos pra ele, mas ele estava incapacitado de se mover com facilidade. Gabi estava analisando tudo isso, quando notou que o Senhor dos Mortos nunca levantava ou deslocava seu escudo, mesmo que isso significasse continuar sendo atacado. Ao se deslocar um pouco, Gabi notou que o escudo em forma de cruz não era totalmente sólido, mas era como se fosse feito de energia em seu interior, só com o entorno do escudo sendo efetivamente sólido.

- Aisha!! - gritou então a alquimista. - Temos que destruir o escudo dele!! Deve ser a fonte do seu poder!!

Aisha ouviu e cessou os ataques contínuos de flechas, segurando uma flecha e retesando a corda ao máximo. Como estava do lado oposto do escudo, poderia acertá-lo por dentro, se conseguisse fazer com que a flecha passasse rente o suficiente do corpo do cavaleiro e acertasse o braço que mantinha o escudo. O cavaleiro notou o que estava para acontecer e preparou sua lança para estocar a Atiradora de Elite, confirmando as suspeitas de Gabi. Katrina levantou sua espada no mesmo momento e invocou a poderosa cruz divina, seu ataque mais poderoso para atacar o cavaleiro, ao mesmo tempo que Elizabetti juntou suas mãos e invocou uma poderosa luz divina de dentro de si para atacar o cavaleiro.

Gabi viu tudo ocorrendo como se tudo ocorresse em câmera lenta naquele momento ínfimo de tempo. Viu o braço do Senhor dos Mortos se abrir durante seu ataque, o momento que o corpo dele se desequilibrou com o ataque combinado da templária e da sacerdotisa, e viu Aisha disparar a flecha no exato momento que a lança do guerreiro atingia o ombro de sua irmã. Viu a flecha de Aisha voando em linha reta perfeita, atravessando a crina espectral do cavalo, atravessando o antebraço esquerdo do cavaleiro e acertando exatamente o centro da cruz que formava o escudo.

No momento seguinte, ainda pode ver Dorobou acertando uma flechada na lança do Senhor dos Mortos, desviando o ataque que certamente mataria Aisha, mesmo com as proteções divinas das sacerdotisas. Pode ver também o poderoso escudo do cavaleiro se partindo em quatro partes simétricas, liberando uma fumaça densa e branca como ventos gélidos, enquanto a espectral montaria se desfazia em fumaça, desaparecendo debaixo do cavaleiro.

E, em um instante, tudo parou. As arqueiras mantiveram as flechas em seus arcos, mas não dispararam, Katrina se curava do ataque que desferira e sofrera, auxiliada pelas sacerdotisas, Dark Alice estava a postos para conjurar qualquer magia que precisasse, e Dorobou estava ainda atrás do cavaleiro, esperando para atacar a qualquer momento. Mas o cavaleiro, agora ajoelhado e olhando para o chão e, visivelmente derrotado, não atacaria mais.

- Não acredito… Nunca antes… fui derrotado… por mortais… - disse quase em um sussurro o cavaleiro, que começou a desaparecer junto à fumaça que saia de seu escudo.

A fumaça começou a subir, formando 2 vultos que antes não estavam ali. Foram tomando a forma de uma sacerdotisa de longos cabelos azulados, abraçada a um alto guerreiro portando um machado em uma das mãos, cerrando os olhos como se estivessem subitamente sendo cegados pela claridade em suas faces.