bRO fanfic | Capítulo 24 – A Busca: Nifflheim (parte 12)
Publicado por Lobo em 08 Jan 2009 | sob: bRO Fanfic
- Todos muito cuidado agora. - falou Katrina, assim que o calafrio subiu eu sua espinha, embora o aviso fosse de fato desnecessário. - Não sei se nossos poderes divinos funcionam aqui, então melhor termos cuidado.
As sacerdotisas começaram a invocar seus poderes para abençoar e proteger os aventureiros, tanto para confirmar que podiam usar seus poderes quanto para reforçar a proteção de todos naquele lugar frio e enevoado. Elizabetti, antes de começar seu trabalho, vendou seus olhos com uma peça de pano escura, aparentemente impedindo sua visão.
- O que está fazendo, Eliza? - perguntou a sempre curiosa Gabi. - Se não puder ver o que acontece, como poderá nos ajudar?
- Não se preocupe, Gabi, a venda não me impede de sentir o que há ao meu redor. - sorriu a sacerdotisa – Apenas quero ter certeza de que não serei enganada por nenhum tipo de ilusão neste local tão ermo.
- Faz sentido, eu acho. Mas eu pretendo continuar enxergando onde estou pisando, mesmo que não me agrade muito. - sorriu Gabi de volta.
De fato, o lugar não era muito acolhedor, embora fosse belo à sua maneira. O chão era de terra batida, bastante escuro, e haviam algumas casas, visivelmente abandonadas. Eram choupanas feitas de terra e com telhados esfarrapados de palha, ou algo parecido. As árvores eram retorcidas e mortas, e seus veios e ocos formavam carrancas que pareciam olhar para os aventureiros conforme seguiam viagem pelo único caminho que parecia existir. As janelas das casas estavam quebradas, e suas esquadrias pareciam ter o formato de teias de aranhas. Muitos morcegos voavam por ali, mas diferente dos morcegos que conheciam, estes não atacavam os aventureiros, apenas planavam entre as árvores, seguidos por vultos que mais pareciam pedaços de seda pura e negra voando ao redor de árvores de forma errante. Era possível ver, em campos mais baixos, algo que lembrava um campo com uma enorme plantação de abóboras, onde existiam muitos pontos de luz bruxuleante flutuando pelos enormes campos.
Enquanto seguiam na formação que havia se mostrado bastante eficaz, as luzes dos campos de abóbora começaram a seguí-los. Ao notar isso, Aisha e Kurai rapidamente muniram seus arcos com flechas com ponta de prata, a munição mais indicada para um local de morte como o que estavam, apontando para as luzes que se aproximavam.
- Não atirem, meninas. - disse Alice, ao ver para onde estavam apontando. - Não acho que sejam monstros para nos atacar. Devem ser os Ludes, espíritos que guiam os mortos e recém chegados, pelo que li na Catedral.
E Alice estava certa. Eram os espíritos-guia daquela terra, com seu corpo redondo e branco como a Lua, carregando lanternas feitas de abóboras em seus pequenos braços, flutuando com graça e expressão simpática. Eram inúmeros, e pareciam estar agora apenas seguindo os aventureiros, com olhar de interesse. Assim que notaram que os aventureiros pararam, os Ludes passaram por eles e seguiram pelo caminho que o grupo estava seguindo. Todos de entreolharam, entendendo que deveriam seguir o caminho que eles estavam indicando.
- Creio que espíritos-guia sabem o caminho para a cidade, não? - disse Dorobou, com ar divertido.
Embora ninguém tenha respondido, a brincadeira do arruaceiro parecia ter aliviado um pouco da tensão que pairava no grupo, que seguiu andando pelos largos caminhos daquele vilarejo desolado. Passaram por dentro de um cemitério, onde Dark Alice pode verificar pelos escritos de alguns túmulos que estavam na cidade de Skellington. Mais que isso era possível apenas ver pedaços de nomes nos túmulos, e parecia que uma família chamada Dullahan morava ali, pois muitos dos sobrenomes nos túmulos eram este.
Seguiram através do cemitério e entraram em um trecho mais estreito, cercado por algumas casas e muitas árvores, onde encontraram um enorme abismo que desaparecia nas brumas do local. Ainda seguindo os Ludes, notaram que as casas não estavam perto desse abismo, mas havia uma praça, que certamente teria sido muito bonita quando viva. As árvores ainda os encaravam, algumas com bonecos estranhos pendurados como que enforcados. Gabi pegou um deles e guardou no seu carrinho, como recordação, sob o olhar de reprovação de Katrina, que achava que não deveriam mexer nos pertences daquele lugar, mas aparentemente nada havia se alterado com isso.
Os Ludes então formaram uma fila única, cercando os aventureiros, e entraram por um pequeno desfiladeiro muito estreito que passava por cima do abismo. Os aventureiros tiveram que formar uma fila para poder seguir os simpáticos guias, pois o caminho era tão estreito que apenas uma pessoa por vez podia passar. Assim Aisha seguiu na frente, seguida por Alice, Gabi e seu carrinho, Dorobou, sempre protegendo a alquimista, Katrina, Dark Alice, que prestava atenção e tudo e comentou com a templária que provavelmente estavam passando pelo rio Gjoll, que servia em Hel como um divisor entre o reino dos vivos e dos mortos, Eliza, que seguia o grupo como se pudesse enxergar o caminho mesmo com a venda e Kurai, fechando o grupo. O caminho era tortuoso e era impossível enxergar muito à frente por conta das brumas que cercavam o local todo, sendo possível apenas seguir em frente, pelo caminho indicado pela luz das abóboras.
Após passar pelo estreito caminho, os ludes se dispersaram em frente a uma série de casas mais bem conservadas que as de Skellington, embora ainda inabitadas, pelo que parecia, formando uma espécie de rua iluminada por postes com luzes etéreas brancas iluminando tudo, como se a cidade ainda tivesse vida. Como os Ludes se dispersaram e o terreno voltara a ser aberto, os aventureiros se arranjaram em formação e Aisha os conduziu através do espaço que se formava à sua frente, pela rua.
Ao passar por esta entrada, viram uma enorme cidade à sua frente, separada deles por um rio de águas escuras e calmas, recortado por algumas pontes de madeira. Seguiram pela ponte maior, à frente deles e notaram que a cidade parecia ter vida como as cidades normais, exceto pelo fato que era sempre noite e as pessoas que andavam por ali estavam visivelmente mortas, e totalmente alheias aos aventureiros. Ao chegar ao que parecia ser a praça central da cidade, com uma fonte de água escura e uma estátua de uma bruxa voando em uma vassoura, toparam com uma figura morta inusitada, uma funcionária Kafra, vestida como todas as outras, embora com olhar vazio e vestes puídas, e parecia saudar os que passavam por ela da mesma forma que as vivas faziam.
Assim que Gabi ia comentar isso ouviram poderosos passos de cavalo atrás de si, e o tilintar de armadura de placas típicas de cavaleiros montados, e aproximava-se dos guerreiros com passadas poderosas, mas sem pressa. Ao se virarem viram um enorme cavalo branco, com um guerreiro todo trajado com uma pesada armadura de placas, toda branca e reluzente. As patas do cavalo pareciam sumir e mesclar com a névoa, e ao redor dele rondavam espíritos de formas muito vagas, o circundando. Em uma das mãos ele carregava um enorme escudo em formato de cruz, muito largo e reluzente, e na outra uma enorme lança, carregada ao seu lado de forma a não ameaçar ninguém.
Ao se aproximar do grupo de aventureiros, ele dirigiu o olhar por baixo de seu elmo e falou, com uma voz cavernosa e grave, dirigindo-se ao grupo todo.
- Sinto em vocês a chama ardente da vida. O que fazem nos domínios do Senhor dos Mortos?
—
- Amor, sentiu este tremor?
- Senti sim, querido! O que pode ser isso, um terremoto?
- Não sei mas, se não estou muito enganado, parece que estamos sendo carregados, e não um tremor de terra comum…
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