Assim que anoiteceu, todos se reuniram próximo à Kafra da cidade, onde combinaram que seria o encontro deles para falarem sobre o que descobriram, na tentativa de encontrar o que o chefe Wootan havia solicitado. Começaram a conversar assim que foram se juntando e apenas Katrina e Kurai chegaram pouco depois de anoitecer, juntas e conversando. Ao chegarem ao grupo que estava confabulando, Kurai comentou:

- Vocês repararam que até as crianças usam máscaras aqui? Eu não faço idéia de como é o rosto desse povo! Só a Kafra e a pesquisadora não usam máscaras… Que esquisito, não?

Todos pararam de falar ao mesmo tempo e olharam para a jovem caçadora, que não entendeu bem o que havia acontecido.

- Menina, você não faz idéia do que falou! - respondeu Dark Alice com um dos seus raros sorrisos sinceros. - Estamos conversando aqui há muito tempo e não nos demos conta exatamente deste fato! Gabi, por acaso em seu carrinho você não possui algum tipo de máscara que Aisha pode usar?

- Acho que sim. Não creio que seja simples assim. Até mesmo um condimento avermelhado e picante eu encontrei aqui para fazer comida, mas não reparei nisso! Muito bom, Kurai!!

Gabi deu uma olhada em seu carrinho e encontrou uma Máscara Feliz lá no fundo, uma máscara muito simples com um sorriso desenhado, feita de felpas, jellopies e trevos encontrados em qualquer canteiro de qualquer cidade, uma máscara simples e que muitas crianças brincavam em todas as cidades do reino, que ela nem lembrava que estava ali. Certamente alguém tinha deixado cair e ela pegou para entregar a alguma criança depois, mas acabara ficando em seu carrinho. Entregou a Aisha que a pegou, olhou com cara de quem não acredita, e seguiu novamente para a parte mais noroeste da cidade, na cabana do chefe.

Antes de entrar na cabana, deu uma última olhada nas pessoas que as seguiam, e todas usavam algum tipo de máscara. Deu um breve sorriso, prendeu a máscara em sua face e entrou na cabana do chefe.

Ao ver aquela cena, o chefe abriu um enorme sorriso e abriu os braços em direção à guerreira.

- Muito bem, guerreira de pele branca! Você e seu grupo realmente compreenderam o verdadeiro espírito dos Wootan! Eu a recebo em minha casa com alegria! Passem a noite conosco, e amanhã os levarei até o marceneiro!

- Obrigada. - respondeu Aisha, retirando a máscara. - Mas, se possível, gostaríamos de partir o quanto antes rumo a Nifflheim, a fim de salvar minha prima perdida.

- Vocês, altos e pálidos guerreiros, são muito apressados. Mas que assim seja. Siga até o final de nossa cidade que encontrará o marceneiro. Entregue a ele sua máscara e ele abrirá a porta dos mundos para vocês. Mas tomem cuidado, pois o caminho não é fácil, e terão a companhia de criaturas que vivem na árvore. Vão em paz, e que a natureza os proteja. - respondeu com calma o chefe Wootan, que sentou-se novamente eu seu trono.

Aisha saiu, encontrou seus amigos e os guiou até a extremidade norte da cidade, onde a última ponte de madeira dava para um caminho de terra batida, que terminava em um enorme tronco de árvore, perto do qual sentava um velho Wootan que os olhou com interesse quando chegavam. Ao ver que o velho levantou-se, Aisha mostrou a Máscara Feliz que estava em sua mão, que ele olhou com interesse, e a entregou.

O velho virou de costas para o grupo e, esticando a mão até a parede de madeira que era o enorme tronco da árvore que bloqueava o caminho de terra, abriu uma porta pequena que não parecia estar ali antes, e se afastou para que os guerreiros seguissem viagem. Aisha entrou pela porta, seguida pelo grupo.

Ao entrar pela porta, deram de cara com uma espécie de caverna enorme, com uma iluminação que parecia vir da própria parede feita de madeira, com cristais de todas as cores incrustados por toda sua extensão, como que nascendo de dentro da parede. A própria parede de madeira da caverna parecia ter sido escavada naturalmente. Era difícil entender como aquilo poderia ter sido feito por algum meio humano ou natural. Logo no começo a caverna bifurcava, com o caminho da direita indo direção para baixo, e o esquerdo para cima, pelo que parecia.

- Creio que, como estamos indo em direção a um reino governado por uma bruxa, devemos seguir para baixo, se realmente estamos na Árvore da Vida. - disse Katrina, olhando para seus companheiros.

- Creio que esteja certa, prima. - respondeu Aisha. - vamos seguir sempre para baixo, então.

Os guerreiros seguiram por uma série de túneis todos feitos de madeira, com seus passos ecoando por toda a caverna, agitando as raízes e galhos que pareciam brotar do chão e do teto, como se não houvesse um sentido correto de crescimento para estas plantas que faziam parte das paredes.

Seguiram andando por bastante tempo, passando por diversos caminhos que pareciam ser um labirinto, mas Aisha andava determinada nas bifurcações, sempre seguindo para baixo, cada vez mais fundo naquela estranha caverna de madeira. O caminho parecia seguir mesmo para as entranhas da terra, descendo cada vez mais até que chegaram a um local que um buraco profundo parecia levar a lugar algum, escuro e silencioso.

- E agora, irmã, o que faremos? - perguntou Gabi, olhando para aquele poço que até mesmo seu carrinho parecia poder passar sem problemas.

- Bom, é para baixo que estamos indo, e este parece ser a entrada para o local mais fundo de Midgard. - respondeu Aisha. - Acho que não temos mais outro caminho para ir. O que acham, portadoras do conhecimento divino?

Elizabetti e Alice se entreolharam, cada qual com sua cara de dúvida, e não falaram nada, apenas acenaram com a cabeça que não sabiam.

- Bom, se estamos indo para a terra das névoas, e nossa amada líder acredita que é para lá que temos que ir… - Dorobou falou e, ao teminar a sua frase, olhou bem fundo nos olhos de Gabi, e pulou para dentro do buraco, desaparecendo completamente da visão de todos.

- Dorobou!!! - Gritou Gabi, que não esperava essa reação do arruaceiro, seguindo com o olhar ele sumindo no poço.

—–

- Amor, você lembra de alguma coisa que aconteceu quando enfrentamos a Ilusão?

- Vagamente. O maldito levantou a mão e senti uma onda de calor intenso e frio intenso ao mesmo tempo. De repente tudo ficou negro e acho que desmaiamos.

- Eu também senti isso. Não sei o que houve.

- Também não, amor, mas tenha certeza que, enquanto houver um sopro de vida em meu corpo não deixarei que nada aconteça a você. Juro que encontraremos uma saída daqui!

- Obrigada, meu amor. Você me deixa mais calma por estar aqui comigo.