bRO fanfic | Capítulo 17 – A Busca: viajando de navio (parte 5)
Publicado por Lobo em 14 Nov 2008 | sob: bRO Fanfic
- Não, caro arruaceiro, muito embora seja a forma mais fácil de chegar até lá para quem não possui um espírito muito… confiável. - respondeu Dark Alice. - Eu pesquisei sobre a Terra da Névoa, que o espírito chamou de Niflheim, e descobri que é possível ir até lá.
- Como isso é possível, Dark? - perguntou Alice, que cuidava de Elizabetti com Kurai – Até onde sei, não há como ir até o reino dos mortos e voltar.
- Teoricamente é possível sim, Alice. Veja, todos os mundos são conectados pela Árvore da Vida, Yggdrasil. Ou seja, há uma conexão física entre os mundos, ou planos, se preferir chamar assim, e podemos usar isso. Só temos que encontrar essa árvore.
- Como seria essa tal árvore, Dark? - perguntou Kurai.
- É uma espécie de freixo. Uma árvore de tronco largo, folhas longas bem verdes, e composta de muitos ramos. É dito que no tronco de Yggdrasil está Midgard, nosso plano, em sua copa Valhalla, e em suas raízes, Niflheim, o reino das brumas. - respondeu Dark Alice
- Ouvi falar de um lugar onde poderia ter um lugar assim. Há um bardo que conheço em Comodo que talvez saiba melhor essa história. Talvez possamos ir para lá procurá-lo. O que acha, milady? - falou Dorobou, olhando para Aisha.
- Se esta é nossa melhor pista, é para lá que vamos. Quem irá nos acompanhar até a cidade de Comodo, para que possamos encontrar este bardo? - Aisha olhou para seus companheiros.
Prontamente todos se levantaram, falando que iriam. Mas alguns precisavam comprar suprimentos e se preparar para a longa viagem até a cidade de Comodo. Ficou combinado, então, que todos se encontrariam em Izlude na manhã seguinte, para tomarem uma embarcação para a cidade litorânea de Comodo.
Na manhã seguinte, ao raiar do dia, Aisha estava já em Izlude, conversando com o capitão da embarcação que partiria em pouco tempo com destino a Alberta. Ela se informou que deveriam pegar uma embarcação em Alberta para Comodo, pois Izlude não possui rota direto para Comodo, mas certamente em Izlude seria possível encontrar.
Aisha comia uma maçã sentada em um dos bancos próximos ao cais, esperando seus companheiros para aquela que seria a maior viagem que já fizera, talvez comparável apenas à seu renascimento. E o grupo foi chegando aos poucos. Gabi e Dorobou chegaram cedo e juntos, seguidos por Elizabetti e Kurai. Um pouco depois apareceu Alice, acompanhada de Karen e Dark Alice. Assim que todos se juntaram e estavam embarcando uma voz firme falou:
- Acham mesmo que podem sair para uma missão deste porte sem meu auxílio, caros amigos? - falou a templária, do alto de seu GrandPeco.
- Ora ora, quem aparece, enfim! Olá, Katrina! - respondeu Aisha, com um sorriso. - Você some e agora reclama que ninguém te avisa? Desça de sua montaria e venha conosco que eu te contarei o que acontece.
A templária desceu de seu GrandPeco e, puxando-o pelo arreio, embarcou com Aisha no pequeno barco que estava zarpando naquele momento com alguns guerreiros e mercadorias para a cidade de Alberta. O dia estava limpo, com poucas nuvens no céu quando partiram, e uma brisa os conduziu sem problemas rumo sudeste. Desembarcaram em Alberta, a enorme cidade portuária do reinado, sempre em atividade comercial frenética, com seus enormes guindastes trabalhando carregando enormes caixas à bordo de embarcações, muita gente transitando e esperando para suas viagens. A branca cidade fervilhava de vida, e muitos mercadores vendiam e compravam suas mercadorias. Aisha e Katrina foram se informar sobre o navio que pegariam para Comodo, enquanto os outros foram dar uma olhada na feira que ficava sempre funcionando próxima ao porto, na área sul da cidade.
Em menos de uma hora o grupo estava embarcando rumo a Comodo. O céu permanecia limpo, embora algumas nuvens mais escuras à oeste agourassem a viagem, pois estavam no caminho da embarcação. Ao conversar com um tripulante, Gabi se informou que não seria possível ir naquele mesmo dia para Comodo, pois o capitão havia confirmado que uma tempestade se formara mais à frente, e seria muito arriscado seguir adiante. Iriam parar na Ilha de Pharos, no litoral sul do reinado, e esperariam passar a tempestade, pois era mais seguro para todos.
De fato, à tarde, que começou a escurecer devido às nuvens, a embarcação virou-se e seguiu direção ao Farol da ilha, que guiava os barcos antigamente para a fortaleza de Saint German, mas que agora era usado como entreposto comercial, já que o forte havia sido abandonado há muitos anos. Os viajantes e os tripulantes desembarcaram na ilha durante o final da tarde, debaixo de uma chuva que estava engrossando, mas não estava perigosa. O capitão havia falado que era possível ver que, mais adiante, o mar estava muito revolto, e que seria impossível seguir adiante por pelo menos três ou quatro dias, pois a tempestade em alto mar estava cada vez mais forte, com ondas muito altas e muita chuva.
O grupo se afastou um pouco dos vendedores da ilha para conversar sobre o que fariam. O barulho era grande perto da embarcação, e se misturava com o som da água batendo nas pedras das antigas construções da ilha.
- Aisha, Dorobou disse que voltava em breve, para que não o deixássemos aqui, caso possamos sair. - falou Gabi – Ele disse que iria cuidar de nossa segurança, pois, ao que parece, estamos muito próximos da guilda dos Arruaceiros.
- Um arruaceiro com bom coração. - comentou Dark Alice – Eis algo que eu não esperava ver um dia.
- Há mais nele do que as pessoas conseguem ver, Dark. - respondeu Gabi, que corou um pouco ao notar que respondeu tão rapidamente – Ele é confiável, sim, além de ser muito gentil.
- Noto que minha priminha está se interessando pelo ruivo arruaceiro. - falou divertida Katrina – Mas poupe-nos dos detalhes, por favor, cara Gabi. Só tome cuidado, por favor, pois sabe muito bem que arruaceiros não são confiáveis.
- Eu sei, prima, eu tomo cuidado, mas acredite, ele É confiável sim. - respondeu Gabi.
- Não gosto disso, Gabi, mas você é crescida o suficiente para saber o que fazer da vida. - falou Aisha, em tom sério – Mas me deixe a par de qualquer coisa que ele tentar, pois se ele a magoar não há lugar algum que ele conseguirá se esconder de mim.
- Não se preocupe, irmã. Eu estou tomando cuidado. - sorriu Gabi – E vocês precisam conhecer a filha dele, que amor de menina.
Todos se espantaram com a palavra filha. Ele tinha uma filha? De repente todos passaram a se interessar por esse arruaceiro que tão pouco sabiam e que, aparentemente, havia roubado o coração da alquimista, para desgosto de Aisha, que se levantou e falou que iria falar com o capitão da embarcação.
Neste momento Alice, que já havia notado algo diferente em Aisha, percebeu o que havia acontecido. Aisha havia ficado mais calma depois do renascimento. Ao notar isso, sorriu, pois notou que Aisha tinha, de fato, renascido. E era alguém realmente melhor, havia evoluído. Não era mais aquela bomba prestes a explodir a qualquer momento. Era nisso que pensava quando Aisha voltou, quase ao mesmo tempo que Dorobou surgiu próximo à eles.
- Bom, não vamos mesmo voltar ao navio tão cedo, pelo que o capitão me falou. Ele sugeriu que buscássemos junto à alguns cidadãos da praia local para repousar, que é um procedimento comum aqui. - Aisha falou ao se sentar com seus amigos, chegando perto da fogueira que havia sido acesa próximo à uma ruína com um telhado para se proteger da chuva que caía. - Eu acho que podemos, então, partir logo que amanhecer direção Comodo, que é não é tão longe daqui. Se sairmos cedo e tudo correr bem, chegaremos antes do anoitecer na cidade. Sugiro, então, que descansemos e façamos turnos acordados para garantir nossa segurança aqui e manter a fogueira acesa.
Todos concordaram com a líder da expedição e organizaram-se os turnos de guarda, e Aisha fez questão de fazer turno com Dorobou, para que ela pudesse conversar com o arruaceiro sobre o que estava acontecendo. E assim o grupo descansou.
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