Aisha sentia-se caindo, mas parada. Sentia uma sensação de vôo e de caminhar ao mesmo tempo. E nada via além de luz.

De repente sentiu chão aos seus pés e ao olhar ao seu redor viu apenas um céu azul e construções que flutuavam junto a grandes nuvens. O chão a seus pés era de pedra de uma cor que nunca havia visto e ao longe, na mesma plataforma que estava, um gande foco de luz azul. Como era o único caminho a seguir, dirigiu se a ele.

Elenna não estava a seu lado, e não podia ser vista em lugar algum mas, por mais estranho que parecesse, Aisha não estava preocupada. Algo em sua mente a deixava tranquila, então seguiu em frente.

Em seus pés brilhava uma aura azul, como se emanasse de sua sombra. Na verdade, não haviam sombras, apesar do lugar ser claro como o dia. Caminhando em direção à fonte de luz, a caçadora viu, nas laterais de seu caminho, vários grandes e renomados aventureiros, heróis de lendas. Como se adivinhassem a pergunta não feita de Aisha, todos indicavam com as mãos que o caminho a seguir era realmente em direção à luz, então para lá prosseguiu.

Ao chegar no final do caminho, Aisha viu uma mulher alta, de cabelos loiros, muito clara, com olhos grandes e vivos, um azul e outro vermelho, asas enormes com penas brancas como as nuvens que a rodeavam, trajada como um anjo guerreiro e portando uma longa lança dourada, ricamente adornada com jóias e outros brilhantes.

Embora atônita com a presença soberba da Valquíria em sua frente, Aisha se ajoelhou respeitosamente, mas com o olhar fixo nos olhos do espírito guerreiro à sua frente. E, com a voz de mil anjos guerreiros, a Valquíria começou a falar.

- Levante-se Aisha Turunnen, caçadora implacável e portadora de glórias e sabedoria sem fim. – disse indicando com a mão que Aisha deveria se levantar e ficar prostada à sua frente.

Aisha levantou-se e continuou a fitar a Valquíria, enquanto andava para o ponto indicado, no centro de um círculo que emanava uma forte luz azul-escuro.

- Reconheço seu esforço e é notável sua evolução, e a convido a fazer parte de meu séquito de caçadores de elite, para combater ainda mais implacavelmente o mal que aflige os homens, e trazer a paz no reino dos mortais. Aceita a oferta de poder e responsabilidade que apresento a você neste momento?

- Sim, nobre guerreira. Aceito sua oferta! – respondeu Aisha sem demonstrar um átimo de exitação, mantendo sua voz firme.

- Aceita, Aisha Turunnen, o desafio de novamente ter que passar pelo crescimento espiritual e físico, pelas agruras que já passou e deverá passar novamente? Aceita que eu apague suas memórias, deixando apenas em ti sua essência e capacidade de aprendizado, mas sem suas reconhecidas habilidades?

- Nobre guerreira, se este é o desafio que preciso enfrentar para receber sua bênção e aumentar meu poder para melhor serví-la, aceito de coração aberto. Entrego à senhora meu conhecimento, minha memória, minha essência. – respondeu Aisha automaticamente, como se as palavras já existissem em sua mente, fluindo naturalmente.

- Então, que assim seja, Aisha Turunnen!

Com esta resposta, a Valquíria levantou sua lança dourada e a atirou em Aisha, diretamente entre seus olhos, numa velocidade e poder tal que Aisha não pôde sequer tentar esquivar do ataque certamente fatal daquela lança dourada. Assim que a lança tocou sua fronde, Aisha foi cegada por um clarão seguido pelo breu mais escuro que Aisha já havia presenciado.

Elenna viu Aisha sumir diante de seus olhos ao tocar o artefato. Aisha não tinha morrido certamente, pois seu corpo não estava no chão, nem em lugar algum que poderia ver. Talvez tivesse sido teleportada para algum outro lugar. Pensou em tocar o artefato quando entrou na mesma sala uma sábia que a impediu.

- O que pretende fazer, nobre sacerdotisa? Tome cuidado, por favor, pois este artefato é muito precioso, e não temos certeza do que pode acontecer a quem tocá-lo.

- Desculpe-me, cara Sábia, estava apenas tentando descobrir o que houve com minha prima, que o tocou há um instante atrás, e desapareceu. – respondeu amavelmente Elenna, embora estivesse preocupada com o destino de sua prima.

- Alguém tocou o Coração de Ymir? – disse a sábia, olhando ao redor, como que procurando algo. – E onde está o corpo de sua prima, que não encontro nesta sala?

- É exatamente o que desejo saber, senhorita. Estávamos pesquisando sobre o coração de Ymir, que inclusive acaba de me confirmar que é realmente este artefato. Mas minha prima não se encontra neste plano de existência, que eu posso afirmar pela minha afinidade com ela. Mas, apesar de não sentí-la, meu coração me diz que ela está bem.

- Desculpe meu ceticismo, sacerdotiza, mas não posso compartilhar deste sentimento com a senhora. Em todo caso, deixe-me acompanhá-la para fora, já que é um intrincado caminho para chegar aqui, e igualmente complicado para sair. E, no caminho, conte-me como chegaram aqui e o que fizeram, se me for possível. – dizendo isto, a sábia estendeu o braço indicando a saída.

- Certamente. Não creio que haja nada que não possa falar para a senhorita sobre nossa busca. – disse Elenna com um sorriso, acompanhando a sábia em direção a saída, conversando calmamente sobre sua busca.

Elenna conversava com a Sábia calmamente, e ela a tudo escutava com uma atenção enorme. Alice, como havia se apresentado a Sábia, tinha olhos profundos, que pareciam buscar a alma de quem estivesse falando com ela. Ao contrário de Elenna, que não passava nunca uma impressão negativa de si, Alice tinha uma expressão sempre séria, de quem está sempre esperando que algo a ataque de surpresa. Era alta e forte, com um corpo como o de Aisha, visivelmente ágil e demonstrava um intelecto que rivalizava com o de Gabi. Seus cabelos, vermelhos como o fogo, aumentavam ainda mais a sensação de que Alice era uma pessoa de temperamento explosivo, embora sempre falasse com tranquilidade.

- Bom, Elenna, eu agradeço a conversa que tivemos, e espero que minhas idéias tenham sido bem interpretadas. - disse Alice a um certo ponto da caminhada

- Certamente, Dark. - respondeu Elenna com um leve pesar na voz, que não passou despercebido pelos ávidos olhos da da sabia.

- Creio, sacerdotiza, que posso responder sua pergunta não verbalizada. Sim, eu prefiro que me chamem de Dark Alice, ou só Dark, É um apelido que ganhei dos meus colegas de estudos, e gosto muito. Digamos que seja a maior expressão de carinho que eu tive, então espero que honre minha vontade de ser chamada assim.

- É, realmente você sabe mesmo ler a mente das pessoas. Você seria uma ótima sacerdotiza, sabia? Seria até curioso, já que tenho uma prima que é sacerdotiza e se chama Alice. - respondeu sorrindo Elenna.

- Nunca imaginei que ouviria isso de alguém. Agradeço, mas definitivamente a palavra divina pra mim não foi suficiente, apenas os elementos e minha própria vontade de seguir em frente. Mas obrigada assim mesmo. - respondeu sorrindo Alice.

- De nada, Dark. Quando quiser procure-nos em Prontera, ao norte. Geralmente a guilda que faço parte se reune ali para conversar, encontrará muitas pessoas interessantes. Embora você seja uma pessoa solitária, cerrtamente seria bom ter pessoas com quem contar.

- Agradeço a gentileza, Elenna. Embora realmente não confie tanto assim nos outros, aceito seu convite. Agora preciso mesmo partir, pois o aeroplano está aportando agora, e preciso pegá-lo. Até breve, então.

- Até breve, Dark! Faça uma boa viagem. - dizendo isso, Elenna invocou o poder divino da agilidade para auxiliar a Sábia na corrida até o aeroporto.
Elenna começou a andar de volta para a Academia, na esperança de que encontrasse Aisha por ali, pelo que Dark Alice tinha comentado, quando sentiu que sua Aliança de Casamento vibrava em seu dedo e olhou pra ela. No mesmo instante sentiu-se carregada suavemente pelo tempo e espaço e sabia que havia sido teleportada.

De repente estava em Prontera, a cidade mais prodigiosa do Reinado, ao lado do alto ferreiro de cabelos azuis que a quem chamava de marido.

- Amor, por que me chamou aqui? Saudades de mim? - disse sorrindo Elenna, para depois beijar Dorei.

- Como se você não sentisse minha falta, menina! - colocando o braço ao redor da cintura de Elenna, Dorei a puxou para seu lado como se ela não pesasse nada. Olha só quem eu encontrei passeando perdida em Payon, enquanto eu caçava uns minérios na caverna da cidade. - apontou com um meneio de cabeça uma garota de cabelos verdes em trança.

Dorei quase estranhou a força que Elenna usou pra se livrar do seu abraço, mas sabia que era a única motivação para que Elenna conseguisse uma força maior que a dele.

- AISHA!!! - gritou Elenna de felicidade, pulando no pescoço de sua prima, que se vestia como uma arqueira, como há muito tempo não via. - Fiquei preocupada com você, prima! Você sumiu da saleta da Academia, e não mais pude sentir sua presença. Fiquei preocupada.

- Elenna, não precisa tanto! Também fiquei preocupada com você, mas estou bem. Só não me aperte tanto, ainda estou sem forças para enfrentar um abraço digno de um Orc. - respondeu sorrindo Aisha, que estava novamente em Prontera graças à ajuda de Dorei.