Obi-Wan e Miadra chegaram em Prontera pelo portal do sacerdote. Miadra falou que antes de ir para o norte da cidade iria passar em seu cliente, e o encontraria mais tarde, entregando ao sacerdote o mapa.
O sacerdote andou rápido entre os mercadores, adentrando a região murada da cidade e contornando a praça central. No caminho, encontrou dois conhecidos seguindo para o norte. Eram dois ferreiros que conversavam distraidamente sobre equipamentos, metais, armas e armaduras.
Um dos ferreiros era alto, cabelos loiro bem claro, rosto amigável e jovial, vestindo calças azuis, camisa branca e uma espécie de tiara que lembrava orelhas de coelho. O outro era visivelmente mais velho, pelo menos 15 anos mais velho, com os cabelos começando a ficar branco em alguns pontos, e visivelmente mais forte do que seu interlocutor. Tinha o andar mais decidido, e sua voz demonstrava mais experiência.
- Ah, Toki e Christian! - falou o sacerdote, emparelhando seu andar aos dois ferreiros.
- Obi-Wan! - respondeu Toki, ajeitando sua tiara, que o vento teimava em tirar do lugar.
- Sacerdote Kenubi. - falou Christian.
Seguiram os três conversando até próximo ao castelo de Prontera. O fato do tema da conversa ser armas e armamentos, fabricação e conserto de equipamentos não incomodava o sacerdote. Na verdade, lhe agradava conversar um pouco sobre outros assuntos mais leves.
Como de costume, lá estavam alguns dos integrantes da Duality, que acenaram e se cumprimentaram quando o trio se aproximou. Estavam presentes Dorei, Elenna, Gabi e Dark Alice. Para sorte de Obi-Wan, Dark Alice parecia estar de muito bom humor, até receptiva. Sorte porque era com ela que queria conversar.
Após os cumprimentos, Dorei entrou no papo dos ferreiros, levando novamente a discussão sobre ficar apenas focado em forjar, que Toki defendia, ficar no campo de batalha, veementemente defendido por Dorei, ou fazer ambos, como Christian insistia em fazer, embora fosse menos capaz do que cada um dos dois em suas respectivas especialidades. Elenna, acostumada já com a discussão e suas argumentações, preferiu prestar atenção no que seu companheiro de profissão trazia e explicava, agora já em companhia de Miadra, que acabara de chegar.
A conversa agora era conduzida por Gabi e Dark Alice, as mais capazes e sábias do grupo. Dark já havia entendido em parte que o mapa era da cidade amaldiçoada de Glast Heim, e que as inscrições nele não haviam sido escritas em nenhuma língua que conhecia, e eram muitas. Até que Gabi entendeu.
- Está escrito em linguagem Orc. - falou tranquilamente Gabi. - Parece que eles fizeram anotações sobre criaturas, eu acho.
Abriu-se uma clareira de espanto. Como Gabi sabia não apenas que era linguagem Orc, como também sabia seu conteúdo? Com a naturalidade e calma que lhe eram comuns, como se falasse que o leite acabou, Gabi disse que era uma das poucas pessoas que os Orcs consideravam seus iguais, explicando que era fruto de aventuras anteriores. Mas disse que deveriam se focar no assunto em questão, porque algo havia de estranho na situação toda.
Apesar de espantados com a novidade sobre a amiga, voltaram a discutir sobre o mapa. E decidiram que precisavam investigar mais os fatos. Dark, curiosa como sempre, falou que iria a Glast Heim investigar do que se tratava o mapa, enquanto Gabi iria ter com os Orcs sobre o assunto em questão.
Como conhecia bem não só os companheiros de guilda, como também os hábitos suspeitos dos Orcs, falou que iria apenas com Dorobou para a vila Orc, já que eles certamente desconfiariam de um grupo grande chegando, O arruaceiro conhecia bem a região e os Orcs, poderia protegê-la de qualquer problema, embora ela garantisse que não haveria problema algum no caminho.
Dark então disse que seria iria investigar a cidade, e que não precisava de companhia. Quando Elenna e Obi-Wan insistiram que ela deveria ao menos aceitar a companhia de um representante da Igreja com ela, para protegê-la, surge junto ao grupo, providencialmente, alguém que poderia convencer melhor a teimosa Sábia.
- Eu irei com você, Dark. - disse com voz calma, mas decidida a templária que havia chegado no momento exato.
- Katrina! - falou alegremente Elenna, virando-se para a imponente templária.
- Eu mesma, darling! - sorriu Katrina, graciosa mesmo usando a armadura de sua ordem. - E irei com nossa querida Sábia, quer ela queira ou não.
Dark abriu a boca para protestar mas, pensando melhor tanto que perderia muito tempo discutindo quanto que seria bom para sua segurança alguém melhor que um sacerdote, soltou um breve suspiro dando a entender que concordava, e que partiriam amanhã cedo. Katrina sorriu e disse que a encontraria ao amanhecer na estalagem onde Dark estava instalada.
Sem comentários »